Opinião
Uma macro iniciativa
As experiências bem-sucedidas relatadas na reportagem sobre o microdrédito, publicada pela GAZETA DE ALAGOAS em sua edição de domingo, são exemplares. Segundo o apurado pela reportagem, durante um ano com apenas 700 mil de recursos, a instituição responsável pelo programa já teria realizado 1.500 empréstimos. Os primeiros passos nesse caminho, em Alagoas, indicam que o microcrédito pode ser o diferencial que permite a sobrevivência ou não de pequenos empreendimentos. A primeira experiência contemporânea dessa política teve início no ano de 1976, em Bangladesh, com o Grameen Bank, fundado pelo economista e professor Muhammad Yunus. Com o sucesso da empreitada (a inadimplência é de apenas 1%), o banco atualmente oferece financiamento, destinados à produção, para 3 milhões de pessoas pobres daquele país, e a iniciativa já foi copiada em cerca de 100 países. Porém, algumas limitações do microcrédito são evidentes. Primeiro, o volume do empréstimo é fundamental para a sobrevivência do negócio, dificilmente o transformará numa bem-sucedida experiência capitalista. Segundo, como as empresas em sua maioria são familiares, os que exercem atividades nestes estabelecimentos não possuem carteira assinada e não estão inscritos na Previdência Social. E terceiro, do ponto de vista da remuneração, uma parcela significativa não o é, e a restante é mal remunerada. Respeitados estes limites, e numa situação de elevado desemprego e de crescimento do mercado informal de trabalho, da qual os pequenos empreendimentos informais são o melhor exemplo, o microcrédito pode vir a ser a única alternativa de sobrevivência desses trabalhadores e de suas famílias. A experiência, portanto, merece ser incentivada e multiplicada. Os recursos disponíveis precisam ser aumentados, assim como intensificado um processo de ?consultoria para micro investimentos?, onde o cidadão ou a cidadã que use essa opção possa multiplicar sua produtividade e consolidar uma opção de renda e trabalho.