Opinião
� beira do desespero
Com tantas denúncias, tantos impasses e problemas graves, parecia que a questão do desemprego havia sido esquecida. Eis que, de repente, um desempregado empoleira-se na amurada que separa a ?arquibancada? do plenário do Senado e ameaça dali se jogar, como prova de seu desespero por não ter perspectiva de emprego. Corre-corre, e as muitas CPIs propostas são esquecidas por minutos. Todas as atenções convergem para um cidadão identificado posteriormente como Edivaldo Lima Araújo, de 35 anos. O incidente reacendeu não só a discussão sobre o drama do desemprego, como o questionamento sobre a segurança do plenário do Senado (e por extensão, da Câmara). Segurança à parte, até porque é problema bem mais fácil de ser resolvido, volta à tona a insegurança de milhões de brasileiros com essa questão básica para a sobrevivência: o emprego. Vez por outra o noticiário abre espaços para informar que ocorreu um ou outro aumento do número de vagas ofertadas. Normalmente, esses espasmos de esperança estão vinculados a fenômenos sazonais, e passado o relâmpago de bonança, retorna à tempestuosa realidade do desemprego crescente. A dança dos números termina por confundir a todos. Aparentemente, o desemprego aumenta pouco e as pesquisas trabalham sobre as vagas existentes e que deixaram de existir ? como se a população permanecesse estável. Ora, isso não acontece na vida real. A população brasileira aumenta a uma taxa de, no mínimo, 2% ao ano. A grosso modo significa dizer que, a todo ano, mais 2% da população brasileira estaria apta para trabalhar. Quantos brasileiros estarão aptos para trabalhar neste ano? Quando o País não cresce, ou decresce, o mesmo não acontece com sua população. Quando deixar de existir 1% de postos no mercado de trabalho, isso quer dizer que mais de 1% estarão desempregados, pois aos que perderam o emprego somam-se os que chegam para trabalhar e não encontram vaga. O desespero do desempregado na galeria do Senado é um pequeno alerta para um imenso problema (sempre a crescer).