Opinião
O direito internacional e a Palestina
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O direito internacional é respeitado no conflito Israel-Palestina? Israel afirma que está bombardeando Gaza para se defender, mas essa ação entra em conflito com a definição de autodefesa da ONU. Cerca de 240 palestinos, dos quais 64 são crianças, até agora, foram mortos em ataques aéreos israelenses à Gaza. Prédios residenciais e casas foram destruídos e o abastecimento de água está acabando. Israel diz que está visando túneis e instalações militares em autodefesa, após ataques de foguetes por facções palestinas, mas de acordo com a ONU, o direito à legítima defesa pertence às pessoas que vivem sob ocupação.
O Hamas disse que suas ações foram em resposta à política de Israel de deslocamento forçado de palestinos na Jerusalém Oriental ocupada e ao ataque à Mesquita de Al-Aqsa pelas forças israelenses na semana passada. Isso se espalhou para a luta entre comunidades mistas de judeus e israelenses palestinos. A ONU está alertando que os combates podem desencadear em insegurança e uma crise humanitária. A proeminente congressista progressista norte-americana, Alexandria Ocasio Cortez, chamou Israel de “estado de apartheid” em meio ao bombardeio contínuo da Faixa de Gaza. Ocasio-Cortez, membro da Câmara dos Representantes dos EUA, faz parte de um quadro de legisladores progressistas que têm criticado cada vez mais o apoio dos EUA a Israel e pediram que o governo do presidente Joe Biden adote uma linha mais dura contra o governo israelense. A congressista norte-americana Rashida Tlaib, que em um discurso apaixonado no plenário da Câmara na sexta-feira, condenou o “governo do apartheid de Israel”, também tuitou a declaração, assim como a congressista Cori Bush. Embora grupos de direitos humanos, mais recentemente a Human Rights Watch, tenham dito cada vez mais que o tratamento israelense aos palestinos equivale a uma governança racista que favorece os judeus israelenses em relação aos palestinos, tanto em Israel quanto nos territórios palestinos ocupados, o rótulo raramente é usado pelos legisladores norte-americanos. Segundo a diplomata paquistanesa Maleeha Lodhi, ex-embaixadora no Reino Unido, nos Estados Unidos e na ONU, nos últimos anos, Israel foi encorajado pelas políticas de Donald Trump a abandonar a ‘solução’ de dois estados e buscou impor uma ‘solução’ de um estado único, enquanto expandia assentamentos ilegais em violação da Resolução 2334 do Conselho se Segurança da ONU e em desafio às demandas internacionais para cessar esta atividade. A inação nessas resoluções é uma acusação aos membros da comunidade global que possuem o poder de concretizar mudanças, mas não estão dispostos a agir por causa de um compromisso cego com Israel e contrário às suas reivindicações de respeitar o direito internacional e obedecer a regras internacionais. Onde isso deixa os palestinos que estão lutando por seus direitos?