Opinião
Confus�o geral
Primeiro, foi a própria agremiação a que pertence o presidente da República, o Partido dos Trabalhadores, que em nota pública prometeu ?trabalhar com afinco para que o governo implemente as medidas necessárias para que 2004 marque o início de um novo e sustentado ciclo de desenvolvimento econômico e social do País, através de mudanças na política econômica necessárias (...)?. Depois, foi o aliado PCdoB (que já defendia através de declarações de seus dirigentes mudanças na política econômica) expressar oficialmente que é necessário ?reorientar a política econômica, mudando as bases de sustentação de juros elevados, superávits primários pesados e livre circulação de capitais justificados pelo alcance de metas de inflação (5,5%) irreais para a realidade do País?. Agora foi a vez de o presidente do Partido Liberal não apenas defender mudanças imediatas na política econômica, como sugerir a saída do ministro Antônio Palocci e do presidente do BC, Henrique Meirelles. O líder liberal declarou que não os considerava preparados para exercer as funções de condutores da área econômica do governo. Embora em nota (por pressão do Planalto), o PL tenha recuado e reafirmado o apoio às linhas gerais da política econômica do governo, não deixou de cobrar menores juros. Em comum, todos esses partidos são da base parlamentar do presidente Lula e estão juntos desde o primeiro turno. Mas não são apenas esses os únicos a defender mudanças na política econômica: Sete dos oito principais partidos que hoje marcham com o governo seguem a mesma trilha. Já na oposição, dois dos seus principais líderes se pronunciaram sobre o assunto: um senador do PSDB disse que ?a desestabilização do ministro Palocci acarretaria o mais absoluto caos?, e na mesma linha, outro senador (do PFL) destacou que ?a tentativa de desestabilizar Palocci é interna ao governo?. Ambos oposicionistas defendem a continuidade da política econômica, que não é muito diferente da que era utilizada quando estes partidos eram as principais agremiações no governo passado. É só um samba do crioulo doido, ou realmente a realidade está cobrando mudanças efetivas?