Opinião
IMPACTO GLOBAL
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Relatório divulgado ontem pela organização não governamental Oxfam alerta que a economia dos países mais ricos vai encolher duas vezes mais do que na crise da Covid-19, se os governos não conseguirem lidar com o aumento das emissões de gases de efeito estufa. De acordo com o estudo, as nações do G7 podem perder 8,5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) por ano até 2050.
A Oxfam diz que o custo anual para enfrentar os impactos da crise climática vai superar o custo econômico da pandemia. Em 2050, as nações do G7 - o grupo dos países mais industrializados do mundo - podem perder em média 8,5% do PIB a cada ano, ou seja, o dobro dos 4,2% atingidos pelas perdas econômicas geradas pela Covid-19, se as alterações climáticas continuarem sem ser controladas ou revertidas. Especialistas acrescentam que os países do G7 podem ver as suas economias encolherem duas vezes mais do que agora que enfrentam a pandemia, nos próximos 30 anos, se a temperatura global subir 2,6 ºC. Entre os motivos estão as perdas causadas pelo calor e a saúde das populações com as mudanças extremas da temperatura, o aumento do nível do mar, as secas e inundações e a redução de produtividade dos terrenos agrícolas, que podem impedir o crescimento econômico dessas nações. O apelo da entidade é para que os países estabeleçam novas metas climáticas. A crise climática está devastando vidas nos países mais pobres, mas as economias mais desenvolvidas do mundo não estão imunes. No Brasil, um dos reflexos mais preocupantes do aquecimento global é a alteração do ciclo hidrológico. Essa mudança é representada pela maior frequência de eventos climáticos extremos: as estiagens são mais duradouras e intensas, assim como as épocas chuvosas. Nos últimos dias, por exemplo, o estado do Amazonas têm assistido à maior cheia do rio Negro em mais de cem anos. O cenário é delicado, mas ainda há tempo de mudar esse quadro. Governo e sociedade precisam pensar em fontes de energia limpa, além de novos modelos para a indústria e o transporte. Isso exige uma mudança de atitude tanto individual quanto coletiva.