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Opinião

Mesmice est�vel

Sob intenso bombardeio político, o Comitê de Política Monetária do Banco Central baixou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25%, mantendo o que anunciara no início de 2004: que os juros cairiam segura e gradualmente. A medida, do ponto de vista econômic

Por | Edição do dia 20/03/2004 - Matéria atualizada em 20/03/2004 às 00h00

Sob intenso bombardeio político, o Comitê de Política Monetária do Banco Central baixou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25%, mantendo o que anunciara no início de 2004: que os juros cairiam segura e gradualmente. A medida, do ponto de vista econômico, traz pouco significado prático. Os sinais que o Banco Central continua a emitir é que, a despeito de tudo que está acontecendo na economia real (estagnação, desemprego e perda de renda dos trabalhadores), o seu compromisso é atingir o centro da meta da inflação (5,5%) neste ano. Eis o grande problema do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os especialistas em economia teimam em repetir que o BC não provoca crescimento econômico. As bases para o desenvolvimento de um país seriam uma política fiscal responsável, um rígido controle da inflação, reservas internacionais elevadas, uma política industrial consistente, investimentos externos de longo prazo e exportações de produtos com maior valor agregado, dentre outros. Ou em outras palavras, os fundamentos macroeconômicos de um país determinariam sua capacidade de crescer de forma sustentada. No entanto, quando se aplica o figurino teórico a países como o Brasil, por exemplo, salta aos olhos que alguns destes fundamentos não dependem da vontade ou da decisão soberana dos seus governos. Tomemos como ilustração a questão dos investimentos externos. Desde o início do governo que os principais responsáveis pela condução da política econômica se avassalam perante os investidores internacionais e organismos multilaterais, em busca deste tipo de recurso – que não vieram no decorrer de 2003 e nem no início de 2004. Para alguns analistas econômicos, os investimentos externos de longo prazo não virão enquanto o BC continuar sinalizando que a inflação não está controlada, apesar do formidável esforço fiscal dos últimos anos. Portanto, quando se baixa sutilmente a taxa Selic, isto influencia pouco na mudança de atitude dos agentes econômicos. E, na prática, nada de novo é estimulado na economia brasileira.

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