Opinião
M�rtires e santos
DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * Falaremos hoje de modo específico sobre o culto aos mártires e santos. O primeiro testemunho seguro do culto de um mártir foi no ano de 155, de São Policarpo, bispo de Esmirna, na Ásia Menor. Um século depois, encontram-se testemunhos do martírio do papa São Xisto, com os seus sete diáconos, e de São Cipriano, todos martirizados antes da primeira quinzena de setembro de 258. Na metade do século III, em Roma, existem testemunhos diretos da veneração e da invocação dos santos apóstolos Pedro e Paulo. O culto aos mártires foi o primeiro a surgir, ao lado da celebração da Páscoa. Nos primeiros tempos, era estritamente local, estava ligado a dois elementos cuidadosamente marcados: o dia da morte e o lugar onde o corpo do mártir havia sido depositado. Desse modo, a comunidade cristã se reunia no aniversário para celebrar-lhe a memória. Os pagãos se reuniam junto ao túmulo para celebrar o nascimento do defunto para a vida eterna. Diferentemente dos pagãos, os cristãos se reuniam junto ao túmulo para celebrar o ?Dies Natalis?, a saber, o nascimento para a verdadeira vida do céu. A celebração cristã é revestida de alegria, de vitória e de esperança. O culto aos mártires era estritamente local e, com o tempo, estendeu-se a oratórios e igrejas, tanto vizinhas como longínquas, até se tornar universal. Do culto aos mártires, passou-se logo para o culto daqueles que haviam confessado publicamente sua fé, sofrendo torturas, prisão e exílio. Os santos, pelo testemunho de vida e abraçando um martírio de caráter espiritual, viveram o heroísmo da vida cristã em qualquer situação. São os chamados santos confessores. Temos como exemplo os ascetas, as virgens, os monges, etc. O culto aos santos alastrou-se muito quando foram levadas em consideração as grandes figuras de bispos que ilustravam de forma eminente a fé cristã, com a sua doutrina e exemplo de vida. É importante entendermos que o conceito de santidade cristã conserva, assim, uma referência radical e íntima ao martírio e ao mistério pascal de Cristo, como foi reconhecido e confirmado pelo Concílio Vaticano II, declarando que a Igreja, nas festas dos seus santos, celebra o único mistério pascal de Cristo enquanto revivido em seus membros. Por esse motivo afirma: ?O grupo dos mártires constitui não apenas o núcleo central e mais primitivo do Santoral, mas também o necessário ponto de referência para um estudo da autêntica santidade cristã?. A Igreja celebra, no dia primeiro de novembro, a solenidade de todos os santos. Recordando as palavras do prefácio da missa a eles dedicada: ?Hoje, nos dais a alegria de contemplar a cidade do céu, a santa Jerusalém que é nossa mãe, onde a assembléia festiva dos nossos irmãos glorifica eternamente vosso nome. Nós, peregrinos na terra, apressamos na esperança o nosso caminho em direção à pátria comum, alegres pelo destino glorioso destes membros eleitos da Igreja, que nos destes como amigos e modelos de vida?. Que nesta entrega total ao mistério do Cristo, possamos rever nossas intenções e aprimorar a cada dia o desejo de vivermos a exemplo dos mártires e santos que a Igreja reverencia. Somente tem sentido a fé quando buscamos nas perspectivas da vida um ideal: a santidade. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ