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Opinião

PRESSÃO INFLACIONÁRIA

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu ontem elevar a taxa básica de juros da economia, a chamada Selic, de 3,5% para 4,25% ao ano. O objetivo é conter a pressão inflacionária. É a terceira elevação consecutiva da taxa. A decisão já era esperada pela maior parte dos analistas do mercado financeiro.

Os economistas avaliam que o aumento da taxa continuará este ano. Isso porque a inflação registrada em maio foi a maior em 25 anos, e a pressão inflacionária está maior que o esperado, sobretudo em relação aos bens industriais. O risco de crise energética contribui para manter a expectativa de inflação elevada no curto prazo. O fato é que a inflação vem ganhando força nos últimos meses puxada por fatores como a alta do preço dos alimentos. Além disso, a alta do dólar também tem seu papel no aumento de preços. Com o real valendo menos, fica mais vantajoso ao produtor de alimentos exportar seus produtos, o que reduz a oferta no mercado interno. Outro ponto é que o dólar alto aumenta o preço de produtos importados ou o custo dos fabricados com insumos de fora. No ano passado, pressionado pelos preços dos alimentos, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, fechou 2020 em 4,52%, acima do centro da meta para o ano, que era de 4%. Trata-se da maior inflação anual desde 2016, quando o índice ficou em 6,29%, de acordo como IBGE. Para especialistas, o cenário atual de inflação mais alta não é propriamente um problema, e sim uma preocupação. Pode tornar-se de fato um problema se passar a ser estrutural. Para que isso não ocorra, o governo precisa agir. A única maneira de evitarmos um ciclo de alta de juros seria haver uma melhora da percepção do risco fiscal. É preciso que o governo tome as rédeas do ajuste fiscal, promovendo ajuda a empresas e indivíduos enquanto perdurar a pandemia e, depois, traçando um plano arrojado de ajustes das contas públicas. Se nada for feito nesse sentido, será mais difícil domar o “dragão”, que tanto mal causou ao País em épocas pretéritas.

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