Opinião
Racionamento, a Europa e o carvão mineral
.
É sabido que a Europa está empenhada na luta contra emissões e em metas climáticas, dos outros países. Nos últimos meses, a União Europeia, que tanto pressiona o Brasil, recorreu ao carvão mineral para suprir a demanda por eletricidade, que voltou ao nível pré-pandemia. Com gás natural escasso e caro, o uso de carvão no velho mundo aumentou 15% este ano. O problema é que devido a essa pressão climática, o Brasil reduziu ao longo dos anos a geração de energia com carvão mineral. Agora está pagando a conta por essa política errática, pois está às portas de um racionamento, diferente da Europa que não tem expectativa de crescimento.
O carvão mineral no Brasil participa com apenas 0,3% das emissões totais do Brasil. As emissões brasileiras representam apenas 2,9% das emissões globais. Os EUA participam com 14%, China 24% e Europa 7%. Os EUA têm um dos menores custos de energia do mundo e usam cerca de 22% de térmicas a carvão mineral. O Brasil poderia economizar cerca de R$ 550 milhões por mês se no lugar de 1000 MW de usinas a óleo diesel que estão gerando energia nesse momento estivessem o equivalente de térmicas a carvão mineral, de Candiota. Significaria uma redução de cerca de 3,5% na conta de luz. Ao contrário do gás natural, que possui valor e fornecimento altamente variável, o preço do carvão mineral é previsível, em reais, não varia e o RS tem 90% das reservas, com minas de superfície. Portanto, é mais barato. O problema do Brasil não são as emissões. Mesmo que fosse, o problema não está na geração de energia. Não se vê em países que possuem esse problema tal preocupação, vide o caso da União Europeia, China e EUA. Mais uma vez, o Brasil corre o risco de racionamento de energia, emperrando a tão aguardada retomada da economia. Nos últimos dez anos, os reservatórios de água vêm caindo sistematicamente. Nesse período, o parque de térmicas a carvão poderia ter sido modernizado e ampliado com bilhões de investimentos. Teríamos segurança energética mais barata. Há um pré-sal de carvão mineral em solo gaúcho. Até quando vamos ignorar esse potencial de desenvolvimento?