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Vacinas suspeitas

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A pandemia de Covid-19 prossegue descontrolada e em crescimento no Brasil e a aplicação das vacinas sofre constantes interrupções. Na Índia, surge uma nova variante em cima de outra variante do vírus: é a Delta plus, cujo poder de transmissão é ainda maior. A variável Delta já foi detectada no Maranhão, Paraná e Goiás. Menos de 12% da população completou as duas doses da vacinação. É indisfarçável que as dificuldades para vacinar a população decorrem da ojeriza do residente da República às vacinas, mesmo a consagrada Pfizer, que sofreu injustificáveis retardamentos de 330 dias para chegar ao braço da população. Causa perplexidade a paixão célere do governo pela onerosa vacina indiana Covaxin, amorico que seria correspondido se um servidor público que detectou irregularidades nessa importação, também detectadas pela Anvisa e TCU, não tivesse se recusado a dar andamento ao negócio.

Essa versão tornada pública pelo deputado federal bolsonarista Luís Miranda e seu irmão, um servidor público do Ministério da Saúde, sobre essa operação suspeita teriam sido levadas ao presidente da República, no Alvorada, no dia 20 de março. Segundo eles, o presidente prometeu acionar a PF para investigar a denúncia. Diante da repercussão pública atual, a versão inicial do governo foi arregimentar todo o aparato da AGU e PF para investigar o servidor público concursado, o que foi recebido pela CPI como ameaça, intimidação e coação ao servidor, que, até prova contrária, cumpriu a sua obrigação. 24 horas depois, o governo apresentou a seguinte versão: teria levado a denúncia ao general Pazuello, que, com seus auxiliares diretos, coronéis do Exército, nada constataram de irregular. O suspeito processo de aquisição dessa vacina, que teve um pedido inusitado de antecipação de pagamento de R$ 220 milhões, tem o empenho de 1,6 bilhão e consta do atual Plano de Vacinação do Ministério da Saúde, foi interrompido pelo servidor público que fez a denúncia. Ele que deve ser punido extemporaneamente? Ad latere, Ricardo Salles caiu do Ministério do Meio-Ambiente. Ele responde a duas investigações por acusações de corrupção nas extrações e exportações de madeira, grande parte dela retida na aduaneira norte-americana. A última denúncia contra Salles foi de um respeitado delegado da PF, imediatamente afastado e punido pela iniciativa. Salles é acusado de promover uma política de destruição do meio-ambiente, confrontando a tendência mundial do mercado de investir na sustentabilidade ambiental. As instituições nacionais estão sendo postas à prova. Elas precisam ter absolutas condições para fazer o seu trabalho sem interferências, intimidações, obstruções e com total transparência pública. É indispensável para o Brasil ter vacinas suficientes e eficientes, adquiridas de forma honesta, investigar e conhecer a verdade dos fatos.

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