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Opinião

Em 2022, um novo Ensino Médio

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Por Jacir Venturi – professor | Edição do dia 29/06/2021 - Matéria atualizada em 29/06/2021 às 04h00

Em uma palestra, há muitos anos, ouvi uma fábula na qual os animais de uma mata se reuniram em assembleia para debater como enfrentar os desafios de um mundo que demasiadamente mudou. Decisão aplaudida por todos:

– Vamos fundar uma escola, pois os nossos instintos já são insuficientes para os novos tempos. Contratados professores com notório saber, a primeira reunião foi para definir o conteúdo a ser ministrado. Priorizando a sobrevivência, seja pela busca dos alimentos, seja para escapar dos ataques de predadores, decidiram que o mais importante seria aprender a correr, voar, nadar e subir em árvores. Os primeiros a se matricular foram a raposa, o cachorro, a onça e o pato. Chegaram à escola supermotivados e irmanados, porém, com o decurso dos dias, o entusiasmo se arrefeceu, pois a raposa, embora a primeira em aulas de corrida com obstáculos e lépida em subir em árvores, tinha baixo desempenho na natação, mas toda vez que tentava voar sua nota era zero. De nada valeram os argumentos da raposa que os seus saltos de cima das árvores para o chão eram um arremedo de um voo. Não está contemplado na ementa! – respondeu o professor. O cachorro tirava boas notas ao correr e nadar, mas era mediano em subir em árvores e, cada vez que tentava voar, se esborrachava no chão. A onça foi a mais brilhante no conjunto em três componentes curriculares – correr, subir em árvores e nadar –, mas também zerou em matemática, ops..., na prova de voo. Mas quem foi o único aprovado em todas? Sim, o pato, pois era mediano nos quatro componentes. Voava, mas apenas curtas distâncias; corria, mas desengonçado e lento; seu vôo era apenas o suficiente para alcançar as árvores mais baixas; e tinha um nado apenas regular, apesar de algum destaque em mergulho. Enfim, não era talentoso em nenhum dos componentes curriculares, mas cumpriu o regulamento.

Mas há motivos para um intenso laivo de otimismo. Com o Novo Ensino Médio (implantação gradativa a partir de 2022), as habilidades e competências socioemocionais (incluindo Projeto de Vida) passarão a ser estimuladas e a fazer parte de uma matriz curricular com 60% do tempo (de um total de 3.000h) dedicados à Formação Geral Básica, comum a todos, e 40% dedicados a cinco Itinerários Formativos, podendo o aluno optar entre Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Sociais ou Formação Técnica e Profissional.

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