OPINIÃO
A Hidra Brasilienses
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A Hidra de Lerna era um monstro que tinha várias cabeças. Sempre que Hércules cortava uma delas, nascia outra no lugar. Acreditava-se que a conduta do presidente da República na pandemia de Covid-19, sempre contra o uso das máscaras e os distanciamentos sociais, defendendo medicamentos ineficazes e resistindo à aquisição das vacinas da Pfizer, era por uma questão de ideologia, mas o andamento da CPI do Senado levanta a possiblidade de que poderia existir algo mais por trás do negacionismo do governo federal. Poderia existir até um grupo interessado nas compras irregulares de vacinas pelo Ministério da Saúde, o que terminaria criando dificuldades para a aquisição das vacinas consagradas como a Pfizer e facilitando a compra de vacinas não recomendadas como a Covaxin.
As denúncias de corrupção na compra dessas vacinas suspeitas da Covaxin rejeitadas tecnicamente pela Anvisa, têm sido agravadas por outras envolvendo outros imunizantes, como um lote inexistente de vacinas da AstraZeneca através de empresa suspeita. O presidente da República não demonstrou interesse nas vacinas da Pfizer, mas na aquisição de doses da Covaxin, sim, chegando a intervir diretamente com o premier indiano Narendra Modi em seu favor. Impossível não lamentar esse tipo de conduta na pandemia, quando ele deveria coordenar e somar esforços com as demais autoridades públicas na conscientização e mobilização da população para adotar as medidas sanitárias consensuais preconizadas pela comunidade científica - vacinar-se e incentivar a vacinação em massa. Não se pode deixar de lamentar a falta de solidariedade e compaixão com os 520 mil mortos e as suas famílias demonstrada pelo empresário Wizard, ao escarnecer de mortos pela Covid-19, que segundo ele “morreram porque ficaram em casa”...
Surgem possíveis evidências de que a Hidra Brasiliensis incrustada em Brasília em governos passados (que para cada cabeça cortada surge uma nova, a da corrupção), possa ter se instalado sorrateiramente no Ministério da Saúde. O presidente sempre garantiu não existir corrupção em seu governo e essa foi a razão pela qual acabou com a operação Lava Jato. As investigações precisam continuar com todos os instrumentos constitucionais pertinentes à República, como a CPI, assim como a abertura de inquérito pela PGR. A grande maioria dos brasileiros é contra a corrupção, anseia pelo fim da impunidade e exige que as autoridades persistam em busca da verdade dos fatos, com toda a colaboração e a cobertura da imprensa, a cada dia mais indispensável para manter a nossa democracia.