OPINIÃO
Estresse de rachar
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Algumas pessoas ligaram seu nome à história por extraordinárias contribuições pessoais: Einstein à relatividade, Freud à psicanálise, Darwin à evolução, Picasso ao cubismo e Sartre ao existencialismo. Hans Selye (1907- 1982) foi um médico europeu que ao pesquisar hormônios descobriu como o organismo humano respondia às agressões. Até então, a Medicina acreditava que a resposta do organismo era específica à agressão. Exemplo: o bacilo de Koch causava tuberculose e a tuberculose tinha que ser combatida. Selye constatou que o organismo humano ao ser agredido, seja por um micróbio, uma substância química ou um infortúnio na vida, passa por três fases: a primeira é a reação de alarme, a segunda é a da resistência à agressão. Na terceira, ou superamos o problema ou o nosso organismo entra em um estágio de exaustão, adoece. Selye observou que o organismo humano sofre desde a primeira fase. Deu a isso o nome de estresse e entrou para a história .
Selye demonstrou que existe uma conexão íntima entre o emocional e o orgânico, que o ser humano não é apenas uma soma de órgãos, é a totalidade deles; adoece como uma totalidade e se cura como uma totalidade. A Universidade de Washington organizou uma escala de estresse: divórcio dá 73 pontos; prisão, 63 pontos; aposentadoria, 45 pontos; até férias dão 13 pontos. Nós vivemos nesse mundo estressante e superar o estresse quando inevitável é um desafio diário. Essa longa pandemia submeteu-nos a um estresse imenso: além dos mais de 530 mil mortos no Brasil e o sofrimento de seus familiares, temos 19 milhões de acometidos, dos quais 25% deles, 5,5 milhões, terão sequelas graves; idosos ficaram isolados dos familiares; gestantes faleceram, perderam seus filhos, crianças não puderam ir às escolas por longo tempo e 14,8 milhões estão desempregados.
Os cientistas afirmam que se a vacinação no Brasil tivesse começado em janeiro (e houve muitas oportunidades para o governo brasileiro fazê-lo) em setembro ou no máximo em outubro próximos, estaríamos com 80% da população vacinada completamente, poderíamos retornar à vida normal, assim como teríamos evitado a maior parte dessas mortes e sequelas. A CPI da Covid-19 demonstra que enquanto existia esse estresse nacional, no Ministério da Saúde, na gestão Pazuello, existia uma disputa pra “rachar” entre grupos que retardavam a aquisição de vacinas da Pfizer e aceleravam a compra de vacinas estranhas por preços superfaturados. Esse gigantesco estresse deveria ter sido evitado e agora é agravado pela variante Delta. As investigações da CPI não podem ser obstruídas por intimidações ou ameaças, venham de onde vierem. A CPI é a principal tentativa de resgate da dignidade nacional, dilacerada nessa pandemia e tem todo o apoio da maioria da sociedade brasileira que é contra a corrupção.