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Mem�rias

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DOM EDVALDO G. AMARAL * Memórias escrevem-se no final da vida, quase sempre mais para os pósteros, do que mesmo para os contemporâneos do autor. Assim, pensei eu também escrever as minhas, já no epílogo de minha existência, com o olhar na eternidade. Memórias costumam ser um gênero literário que só interessam mesmo a quem as escreve. Um pouco aos seus amigos mais íntimos, que querem ver como foi a vida do amigo e a algum curioso, interessado em conhecer a vida do tal autor. Além dessas categorias, há também quem goste de ler memórias. Sempre gostei muito e a idéia de escrever as minhas, veio-me das ?Memórias salesianas de um arcebispo cego?, de autoria do arcebispo Ricardo Pittini SDB, que conheci, já cego, em breves momentos em São José dos Campos, SP, quando esse heróico bispo salesiano foi lá visitar seu amigo, padre José Vera. Passando quatro meses no Japão, em viagem missionária, para atender pastoralmente os 260.000 brasileiros que vivem naquele arquipélago, com certa disponibilidade de tempo, aproveitei as tardes nipônicas do verão de 2003 para escrever minhas Memórias, dedicadas aos meus irmãos salesianos. Realizei aquele modesto trabalho, com a intenção de ser um hino de ação de graças ao Senhor Jesus que, através de inesperados caminhos, me conduziu até agora. Procurei também fazer naquelas páginas uma demorada reflexão sobre minha vida, com um ?Confiteor? dos erros cometidos para se unir a essa ação de graças, de que acabo de falar. Gostaria, ainda, de dois resultados daquele trabalho: que os de minha geração - são poucos - recordassem comigo alguns momentos de nossas vidas; e os jovens salesianos de hoje se animassem a viver com maior decisão, num contexto totalmente diverso do nosso, o ideal de Dom Bosco, sob as bênçãos e a proteção materna ?Daquela que tudo fez?, a Virgem Mãe Imaculada, Auxiliadora dos Cristãos. O Senhor Deus faça que seja assim. O livro consta de cinco partes: Os primeiros anos de formação ? após a primeira profissão - O início de meu sacerdócio - bispo em Aracaju e em Parnaíba. A quinta e última parte, relativa ao meu tempo de arcebispo em Maceió, como digo no início, era a que oferecia duas grandes dificuldades. Primeira, porque foi o lugar onde mais me demorei seguidamente, até mesmo mais do que no Recife, minha cidade natal; e segunda, a proximidade dos fatos que eu tinha que recordar ainda não permite dimensão histórica e mais objetiva, distante das emoções do momento. Mas, sendo uma comemoração de meus sessenta anos de consagração religiosa na casa de Dom Bosco, como já disse acima, é um trabalho dedicado aos meus irmãos salesianos: aos antigos, da minha geração, e aos das novas gerações, que começam a viver o ideal de nosso Pai e Fundador. As Memórias incluem a carta de despedida de Aracaju e de Maceió. Como apêndice, coloquei três documentos de grande significado para minha vida pessoal: Meu primeiro sermão sobre Nossa Senhora, ainda como diácono, em maio de 1954, o discurso de representante da turma no dia de nossa ordenação sacerdotal a 8 de dezembro daquele ano e a conferência proferida em S. José dos Campos, no centenário de nascimento do Servo de Deus, padre Rodolfo Komórek. Pensei em reproduzir minhas duas melhores Cartas Pastorais: a sobre as vocações ?Servidores de Deus e Servidores dos homens? e a sobre a família. Mas acabei desistindo. A primeira contém dados estatísticos muito defasados, porque é dos anos oitenta, e a segunda é muito extensa para figurar como apêndice de um livro de memórias. Como as memórias algumas vezes suscitam polêmicas ? espero que tal não aconteça com as minhas ? devo repetir aqui um personagem pouco simpático da vida de Jesus, o fraco e vacilante Pilatos, que, num raro momento de decisão e coragem, respondeu aos chefes dos sacerdotes dos judeus, que reclamavam o que ele havia redigido como sentença contra Jesus: Quod scripsi, scripsi ! (Jo 19,22). Enfim, repito o verso latino: ?Habent sua fata libelli? - ?Os livros têm seus destinos? - diz Terenciano Mauro no Carmen heroicum, verso 218. Em Maceió, o livro pode ser adquirido na livraria anexa à Igreja do Livramento, e na Casa Dom Bosco, na Av. Jorge Montenegro de Barros, 4000, com o padre Tito Régis ou a irmã Josefa Umbelina. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

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