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OPINIÃO

RAIO X DA VIOLÊNCIA

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O 15º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado ontem, mostrou vários pontos preocupantes. O Brasil teve um aumento no número de mortes violentas registradas em 2020 mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus. Houve 50.033 mortes, contra 47.742 em 2019, um aumento de quase 5%. O perfil das vítimas é o já conhecido: 76,2% são negras, 54,3% jovens e 91,3% do sexo masculino. Os crimes aconteceram mais à noite e aos fins de semana. Em 78% dos casos, foi usada uma arma de fogo.

De acordo com o levantamento, houve 6,4 mil mortes provocadas por policiais, crescimento do feminicídio e aumento dos casos de assassinatos e agressões ao público LGBTQIA. Também foi registrada queda nos gastos com segurança pública e mantida a superlotação do sistema prisional. Ainda segundo o levantamento do Fórum de Segurança Pública, houve 6.122 vítimas de 0 a 19 anos mortas de forma violenta em 2020, ante 5.912 em 2019. Dentro desse número estão 267 crianças de até 11 anos de idade. Outro dado presente no relatório é que o Brasil duplicou o número de armas de fogo nas mãos de civis em apenas três anos: um arsenal de, pelo menos, uma arma a cada 100 brasileiros. São 2.077.126 exemplares nas mãos da sociedade civil, aqui incluídas as armas pessoais de policiais e militares. Apenas em 2020 foram registradas 186.071 novas armas, um aumento de 97,1% em relação ao ano anterior.

Em Alagoas, o crescimento do número de registros de novas armas chegou a 691% de um ano para o outro, uma tendência acompanhada —ainda que com menor força— pelos demais Estados.

Todos os estados no Nordeste tiveram crescimento no número de mortes violentas. Alagoas, por exemplo, aparece como o sétimo estado com mais homicídios desse tipo no País.

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Para especialistas, fica claro que, apesar de o Brasil ter criado há três anos o Sistema Único de Segurança Público, falta ainda implementar os principais mecanismos de governança e indução de mudanças ainda não foram implementados. Enquanto isso, o País convive com um modelo de segurança arcaico e ineficiente.

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