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Opinião

Rede protetora de animais II

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Por Paulo Memória – jornalista e cineasta | Edição do dia 22/07/2021 - Matéria atualizada em 21/07/2021 às 22h48

Há de fato a necessidade da criação urgente de uma Rede Protetora de Animais, com o objetivo de renovar e ressignificar a causa animal no nosso estado. A proposta desta rede é integrar todos que realizam trabalhos em defesa dos direitos e da vida dos animais, atuando de forma integrada, planejada, organizada, articulada e mobilizada. São muitos protetores em Maceió e em muitas cidades de Alagoas, que trabalham de forma voluntária, solidária e solitária. Construir uma ação conjunta de todos que amam os animais, é de fundamental importância para que surjam novas ideias, propostas e projetos para melhorar a qualidade de vida deles.

Esta Rede Protetora tem como objetivo, promover a conscientização moral da sociedade, da importância e do respeito a vida dos animais, para alicerçarmos na opinião pública, cobrança dos gestores e governantes, nos âmbitos municipal, estadual e federal, políticas públicas que atendam as demandas urgentes para os animais, que vivem uma tragédia silenciosa em nosso país, e que a sociedade brasileira não consegue se aperceber.

A Rede Protetora de Animais é uma associação que se propõe a ser a voz destas vidas que se encontram em situação de abandono e vulnerabilidade nas ruas, vítimas de maus tratos, atropelamentos, acidentes diversos e doenças, completamente jogados a própria sorte e sem ter com que contar, a exceção dos protetores de animais, que são a linha de frente da atividade de proteção. O princípio basilar que norteia a rede é o do “um por todos e todos por um”.

Não podemos incorrer no equívoco da fulanização, sicranização e beltranização da causa animal, posto que esta é uma pauta coletiva e não da ação midiática dos protetores de Instagram, que na maioria das vezes não fazem nada além de cumprir sua obrigação institucional, sendo devidamente remunerados pelos nossos impostos. A Rede Protetora tem como meta valorizar os verdadeiros heróis e heroínas desta causa, que são os pequenos protetores individuais, que realizam a proteção cotidiana e não eventual dos casos que envolvam animais que choquem a sociedade.

A proteção animal não são fulanos, Sicranas ou beltranos, o verdadeiro protetor é aquele que segura um animal com sangue, fezes, secreções, larvas, feridas e pruridos nos braços em um resgate, em locais ermos, inacessíveis e perigosos, sem o aparato do aparelho de Estado e sem nenhum tipo de proteção ou estrutura que garanta sua segurança. Heróis de capa e espada só existem mesmo no cinema. Podemos dizer que a motivação de um Protetor é de inspiração franciscana, uma vez que São Francisco de Assis é o santo protetor dos animais e da natureza, que pregava o amor, o respeito e a solidariedade ao próximo.

Meter o pé na porta de quem pratica maus tratos não é solução para esta questão, até porque a prática mostra que quem comete este tipo de crime, geralmente é posto em liberdade logo após a audiência de custódia. Os maus tratos não serão resolvidos com espetacularizações e sim com um Estatuto de Defesa, Direitos e Proteção dos Animais, uma legislação rigorosa e dura para quem praticar atos de crueldade contra os animais. A narrativa da proteção animal não deve ser a do ódio e da violência, mas a do diálogo e convencimento da sociedade, da importância da vida dos animais.

A autêntica proteção de animais não é àquela milionária, bancada pelos cofres públicos, mas a proteção feita por pobres protetores, que deixam de levar o pão a própria mesa, para seus animais não passarem necessidades. São os protetores que lutam para conseguir pequena doações para custear tratamentos em clínicas, veterinários, cirurgias, medicamentos e manutenção dos animais, lutando para conseguir adoções responsáveis para os animais resgatados. Por estas razões é que o lema da Rede Protetora de Animais é o de que “as vidas dos animais também importam”.

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