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Opinião

Um passo para trás

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Por Cristiano Meditsch - CEO da startup de investimentos em energias renováveis Edsun | Edição do dia 23/07/2021 - Matéria atualizada em 22/07/2021 às 21h53

Com a ligação das termelétricas por conta da crise hídrica, o consumidor brasileiro vai pagar a conta da falta de investimentos em energia renovável. Novamente os brasileiros vão sentir no bolso a falta de investimento em energias renováveis. E o meio ambiente - que no Brasil exprime seus flagelos também por meio da crise hídrica - vai sofrer ainda mais com a poluição gerada pelas termelétricas.

O reajuste da tarifa da bandeira vermelha dois, que já é a mais alta de todas do sistema tarifário nacional, vai subir de R$ 6,234 para R$ 7,571 em média pelo consumo de 100 kw/hora. Ou seja, estima-se que o valor esteja próximo de 20% de aumento. O mesmo já está autorizado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O acréscimo entra em vigor quando é preciso ligar as termelétricas para suprir a demanda por energia. A falta de chuvas impacta diretamente na performance das hidrelétricas e inicia-se um ciclo vicioso: recorrer à fonte que mais emite poluentes de todas. A entidade decidiu não apenas reativar as estruturas das termos, mas também mantê-las ligadas até o final do ano. Ou seja, os brasileiros vão pagar mais pela energia por, no mínimo, seis meses. E a natureza vai degradar além da seca. A falta de incentivos federais para a criação e expansão de matrizes energéticas limpas fica ainda mais evidente nestas horas. Com maior oferta de energia solar ou eólica, por exemplo, não seria preciso levantar a chave das termelétricas. Ao contrário do que muitas vezes prega a Aneel - que a energia de origem solar de alguns deixaria a conta de energia de origem hidrelétrica de outros mais cara - se houvesse maior geração limpa, neste momento, não precisamos recorrer a mais cara e pior de todas em termos ambientais. Em outras palavras, o crescimento da exploração solar e/ou eólica deixaria a conta de quem não tem acesso a ela mais barata, pois dispensaria as termelétricas quando as hídricas estiverem escassas. Eis uma verdade que deveria saltar aos olhos do consumidor na hora que o orçamento aperta: o impacto financeiro das escolhas governamentais equivocadas.

O País deveria incentivar, de todos os modos possíveis, a energia renovável para não depender de meios de obtenção sujos, baseados em carvão ou gás. O erro de não prever momentos como este e estar preparado para enfrentá-los sem depender das termelétricas interfere diretamente no orçamento familiar. É a conta de luz mais pesada, os produtos de consumo mais caros e o ar mais poluído, tornando a vida humana e animal como um todo mais custosa e sofrida.

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