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OPINIÃO

VALORIZAÇÃO

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Ontem, em alguns países, incluindo o Brasil, foi comemorado o Dia dos Avós. A data tem como base a comemoração do dia de Santa Ana e São Joaquim, que, segundo a tradição da Igreja Católica, teriam sido pais de Maria e, portanto, avós de Jesus Cristo. Este ano, especificamente, muitas famílias não puderam festejar esse dia, pois muitos idosos foram vítimas do coronavírus.

A data também pode servir para uma reflexão sobre a situação dos idosos no Brasil. Atualmente, o número de brasileiros com 60 anos ou mais corresponde a 17% do total da população do País. É um contingente de cerca de 24 milhões de pessoas. A expectativa do IBGE é que, até 2055, o número de pessoas com mais de 60 anos supere o de brasileiros com até 29 anos. Vários fatores contribuíram para essa nova realidade nas últimas décadas, como a melhoria no saneamento básico, acesso aos serviços de saúde e o combate à fome. Há, entretanto, vários desafios. O principal deles é promover a valorização das pessoas mais velhas e garantir políticas para que elas envelheçam com qualidade. Desde 2003, os idosos contam com um estatuto que, pelo menos no papel, lhes garante diversos direitos. Em seu artigo 9º, o Estatuto diz que é obrigação do Estado garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade. O problema é que, apesar do rápido aumento do número de idosos nos últimos anos, o Brasil não está preparado para o envelhecimento acelerado de sua população. Na saúde, os custos têm sido cada vez maiores e, no mercado de trabalho, as empresas não estão preparadas para empregar pessoas mais idosas. Outro desafio é a acessibilidade e a mobilidade urbana. É preciso repensar a estrutura de cidades, áreas de lazer e meios de transportes que atendam às pessoas mais velhas. O fato é que os modelos de gestão pública têm ficado aquém dos desafios e oportunidades apresentados por essa mudança demográfica. Como se costuma dizer, o tempo urge e é preciso dar respostas a essas questões o quanto antes.

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