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Mist�rio Pascal

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Dom José Carlos Melo,CM * Dentro de poucos dias, iniciaremos a Semana Santa e celebraremos o Mistério Pascal de Cristo. É importante entendermos que a Páscoa para nós, católicos, é celebrada dentro de um Tríduo, da seguinte maneira: a Sexta-feira Santa celebra a paixão; o Sábado Santo, a sepultura; o Domingo, a ressurreição. Por esse motivo esclarece a liturgia: ?O Tríduo Pascal da paixão e da ressurreição do Senhor inicia-se com a missa na Ceia do Senhor, tem o seu fulcro na vigília pascal e termina com as vésperas do Domingo, de Ressurreição?. Revivendo a Páscoa como vida nova em Cristo Jesus Ressuscitado, Santo Ambrósio, apoiando-se na tipologia da reconstrução do templo em três dias, afirma: ?É preciso que observemos não apenas o dia da paixão, mas também o da ressurreição, de modo a ter um dia de amargura e também de alegria, de modo a jejuar naquele dia e ser saciado neste outro... É o Tríduo Sagrado... durante o qual Cristo sofreu, repousou e ressuscitou, a respeito do qual ele diz: ? destruam este templo e eu o reerguerei em três dias?. A Páscoa é celebrada em quatro momentos distintos: a Páscoa do Senhor, isto é, a passagem salvífica do Senhor na noite da saída do Egito; a Páscoa dos judeus, ou seja, a celebração do ?memorial? ou memória objetiva realizada com o rito da ceia pascal; a Páscoa de Cristo, isto é, a sua imolação sobre a cruz, a ?sua passagem deste mundo para o Pai?, através da paixão e da ressurreição; e a Páscoa da Igreja celebrada sacramentalmente, ?in mysterio?, anualmente, mas também semanal e cotidianamente no rito eucarístico. São Marsili em seu aprofundamento espiritual sobre o Tríduo Pascal afirma: ? O Tríduo da Páscoa de Cristo liga-nos ao sentido real, mas em situação temporal, da redenção operada pelo Senhor; a quinta-feira da Ceia do Senhor, na celebração pascal do seu corpo e do seu sangue imolados por nós em sacrifício, coloca-nos em comunhão real, mas em plano sacramental com a própria redenção?. ?Não nos gloriemos em outra coisa senão na cruz de Jesus Cristo, nosso Senhor: ele é a nossa salvação, vida e ressurreição; por meio dele fomos salvos e libertos?. É justamente o mistério da morte transformada em vida. Daí o significado da Páscoa como passagem da morte para a vida em Cristo Jesus Ressuscitado. Por esse motivo não poderemos entender a Ressurreição sem o episódio da cruz. Durante este período de Quaresma, preparamo-nos intensamente para a celebração do Mistério Pascal de Cristo em sua Morte e Ressurreição. Ela nos preparou para viver uma vida nova voltada ao testemunho evangélico. A Liturgia nos ajuda a ?considerar o Mistério Eucarístico em toda a sua amplidão, tanto na celebração da missa como no culto das santas espécies, que são conservadas depois para alargar a graça do sacrifício?. Celebrar o Mistério Pascal é celebrar a nossa própria Ressurreição. Na certeza de que celebramos a vida, a Páscoa de Cristo nos renova e nos atualiza na história, à medida em que nos envolvemos no mistério, a passagem da escravidão para a liberdade outrora celebrada pelos filhos dos hebreus, hoje é entendida por nós cristãos, como passagem da morte para a vida em Cristo Jesus Ressuscitado, recordando assim a afirmação de São Paulo: ?Se Cristo não ressuscitasse, vã seria a nossa fé, ilusória seria a nossa pregação?. Celebremos a Páscoa do Senhor! (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ

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