Opinião
Fonte de vida
HUMBERTO MARTINS * Tendo como tema Fraternidade e Água e o lema ?Água, fonte de vida? foi lançada na segunda quinzena de fevereiro a 41ª Campanha da Fraternidade (CF). O tema, de grande atualidade, é escolhido pela primeira vez pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entidade que congrega a liderança católica. Estatísticas da organização das Nações Unidas, ONU, estimam que dentro de meio século um quarto da população mundial não terá um mínimo de água para sobrevivência. Em cerca de 40 nações, atualmente, a maior parte da África, a disponibilidade de água já é de apenas oito por habitante, para hidratação e higiene pessoal, o que é suficiente. O propósito da CNBB, ao escolher a água como tema de sua campanha anual, é chamar a atenção das pessoas para a necessidade de proteger os mananciais e consumir água com cuidado para evitar estragos. Para as lideranças da Igrejas Católica, é fundamental que o gerenciamento dos recursos hídricos continue em mãos do poder público. A Campanha da Fraternidade é um processo de evangelização que se desenvolve principalmente durante o período da Quaresma ? 40 dias. A escolha do tema é precedida de ampla consulta às paróquias, dioceses e regionais da CNBB. Foi idealizada por três sacerdotes da Cáritas Brasileira e realiza-se desde 1962, originalmente em Natal, capital do Rio Grande do Norte. Desde 1964 a Campanha da Fraternidade se tornou de âmbito nacional e o primeiro lema adotado foi: ?Lembre-se, você também é igreja?. A Campanha da Fraternidade ganhou maior dimensão a partir de 1971, quando foi realizado o Encontro Nacional da Campanha da Fraternidade. Desde então, é uma tarefa da CNBB. A Igreja Católica sugere uma política nacional de captação de água da chuva e uma legislação integrada de administração dos recursos hídricos, com ênfase na defesa do meio ambiente. A CNBB opõe-se à venda de concessões de serviços de água para empresas particulares. ?Ninguém pode ganhar dinheiro em cima de um bem que é de todos. O Estado não é proprietário da água. Nós não podemos e não vamos aceitar qualquer tipo de privatização?, disse em Salvador, Bahia, o presidente da CNBB. dom Geraldo Majella. Abordou, especificamente, a transposição do Rio São Francisco, projeto do governo anterior abraçado pelo atual governo. ??Não sei como as pessoas ainda podem falar em transposição de um rio doente?. O que nós queremos, primeiro, é salvar o rio. Depois, a gente conversa sobre transposição?, destacou, mais uma vez, dom Geraldo Majella. A escolha da água como tema da Campanha da Fraternidade deste ano pela CNBB foi muito oportuna e de grande valia nos dias atuais, pois desperta a sociedade para a escassez da fonte de vida nos próximos anos em todo o planeta. Não se trata apenas de um problema do mundo. É, também, um problema brasileiro, porque se temos grandes reservas de água potável na Região Norte, em outras, como no Nordeste, temos longos períodos de escassez. Além do mais, a maior parte das pessoas é insuficientemente esclarecida sobre a necessidade de poupar água e de consumi-la racionalmente. A Igreja com a campanha ?Água, fonte de vida?, conscientiza todos nós de que devemos preservar e cuidar do pouco que temos hoje, para evitar a falta no amanhã. (*) é desembargador do TJ/AL