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Opinião

Povo adoentado

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Estima-se que 50 milhões de brasileiros não têm acesso a medicamentos. Além do mais, apenas entre 1999 e 2002, as vendas de remédios tiveram queda de 16%, segundo dados da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma). Em compensação, os laboratórios nacionais que passaram a produzir genéricos (há quatro anos), obtiveram ganhos expressivos: aumento da participação no mercado de 6,4% para 12,1% e faturamento 2,33% mais elevado do que em 1999, de acordo com pesquisa da Escola de Negócios da PUC/Rio. Esse aumento expressivo, no entanto, não significou que mais brasileiros tiveram acesso aos medicamentos. Segundo levantamentos realizados, o crescimento da indústria farmacêutica nacional dedicada aos genéricos teria ocorrido às custas dos grandes laboratórios transnacionais, produtores de medicamentos de marcas. Entre 1977 e 2003, a venda de medicamentos no Brasil caiu 8,6%, segundo estudos de especialistas. Outro levantamento mais abrangente da Febrafarma aponta queda ainda maior no mesmo período: 19,2%. Se concomitantemente com a queda na venda de medicamentos tivesse ocorrido uma expressiva melhoria nos serviços de saúde pública no Brasil ? melhoria essencial para a prevenção de doenças como hepatite do tipo A, dentre outras ? seria plenamente justificável esse resultado. Mas não foi o que ocorreu, até porque no período citado, os investimentos em saneamento básico, por exemplo, deixaram de ser realizados para atender à meta do superávit primário. Além da deterioração das condições gerais de vida da população de baixa renda (aumento do desemprego e queda de renda), num país onde a saúde pública não é tratada como prioridade, a queda na venda de medicamentos provoca danos à grande maioria dos brasileiros. Os que tiveram informações e conseguiram mudar de medicamentos ?de marca? para os genéricos, terminaram sendo os ?privilegiados? da história, mas como a grande maioria se automedica, essa parcela majoritária da população continua sem acesso a medicamentos adequados e sem perspectivas de que venha a tê-lo no futuro.

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