Opinião
Avaliando pesquisas
Os dois últimos levantamentos realizados no País sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (pesquisas CNI/Ibope e CNT/Sensus) chegaram a resultados semelhantes: queda no índice de aprovação do governo. Alguns analistas fizeram ilações sobre o índice de popularidade do governo FHC no mesmo período, comparando-o com o resultado atual. São momentos distintos que não permitem comparações, a não ser para fustigar o governo. Com toda superposição de mídia do episódio ?Waldomiro Diniz?, a ampla maioria dos entrevistados (52,8%) sequer ouviu falar do assunto. Dentre aqueles que ouviram falar (25,9%), apenas 18% acompanham o desenrolar dos acontecimentos. Ainda que 50,2% destes considere o caso muito prejudicial para o governo, 68,7% permaneceram com sua posição inalterada sobre o PT, e 57,1% mantiveram a mesma confiança no governo. A lenta e gradual perda de popularidade do governo (queda de 22 pontos percentuais desde a posse), como as pesquisas têm demonstrado, e esta da CNT/Sensus mais que outras, indica que a população começa a creditar ao governo Lula alguns aspectos negativos dos principais indicadores sociais brasileiros como o desemprego, por exemplo. Em fevereiro do segundo ano de governo, 40,3% desgostavam de FHC (e 9,2% antipatizavam Lula no período equivalente), enquanto em março, em períodos equivalentes, os percentuais foram 31,5% e 16,5%, respectivamente. Nas questões referentes ao desempenho global da economia brasileira as avaliações indicam uma mudança de curso: enquanto no levantamento anterior (em fevereiro) 17,8% acreditavam que a economia brasileira ia crescer muito neste ano, o otimismo foi reduzido para 13,6% dos entrevistados. Os que esperavam um crescimento pequeno da economia passaram de 47,9% para 41,5%. E o mais significativo, o percentual dos que não esperavam crescimento sofreu um salto, de quase 12 pontos percentuais em pouco mais de um mês: era 22,9% e agora é 34,2%. O caso não é de simplesmente comparar um com outro governo. Para a cidadania, o importante é o decréscimo da confiança do povo em seu presidente, no sentido de que esse dado deve inspirar o governante e seus auxiliares a um esforço extra pela recuperação da popularidade através da correção de rumos. Se assim for feito, ganham todos.