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NOVAS AMEAÇAS

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Enquanto o mundo ainda sofre com os efeitos do novo coronavírus – milhões de vítimas em todo o mundo e colapso nos sistemas de saúde –, cientistas de vários países, ligados às áreas de saúde e clima, lançaram ontem um relatório com recomendações para o mundo enfrentar e se prevenir uma nova pandemia. O relatório, produzido pelo grupo de pesquisadores da Universidade Harvard, de Cambridge (EUA), aponta que investimentos na conservação de florestas e na mudança das práticas agrícolas são ações essenciais, e econômicas, para prevenir novas pandemias. O documento orienta ainda a integração de ações de conservação e o fortalecimento dos sistemas de saúde em todo o mundo.

Os cientistas alertam que há a necessidade de mais investimentos em conservação florestal, especialmente nos trópicos, maior biossegurança em torno de fazendas de animais de pecuária e silvestres e investimento em plataformas que unem conhecimentos em saúde pública, veterinária e ambiental. A prevenção também consiste em restringir o contato de pessoas com animais hospedeiros de vírus e está diretamente ligada ao monitoramento e freio de atividades predatórias que não oferecem nenhum benefício econômico global, sobretudo o desmatamento e o tráfico de animais silvestres: manter árvores em pé e os animais em seus habitats tem um custo econômico menor que o de impor lockdowns ou abater rebanhos para conter epidemias em curso. O grupo afirma que a destruição das florestas tropicais e o comércio de animais selvagens são dois dos fatores que mais contribuem para o surgimento de patógenos com potencial epidêmico. Nos últimos anos, eles favoreceram, por exemplo, o aparecimento do HIV e do ebola. Agora, veio o novo coronavírus. Segundo os pesquisadores, o investimento feito para mitigar esses problemas todos é atualmente de US$ 4 bilhões, e não está à altura dos US$ 4 trilhões de prejuízo global que uma pandemia como a da Covid-19 pode provocar. Além disso, os custos equivaleriam a apenas de 1% a 2% do orçamento militar dos dez países mais ricos do mundo. Ou seja, tudo é uma questão de prioridades.

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