Opinião
As fantasias do Sete
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Dura é a realidade, mas cruel é a fantasia e quando se observa a realidade ela é uma pandemia de Covid-19, onde a variante Delta, de alta transmissibilidade, exige novas doses de vacinas de reforço em um mundo com imunizantes insuficientes para todos, o que a perpetua. No Brasil, à essa crise real soma-se uma inflação crescente, com redução das expectativas de recuperação econômica, um desemprego elevado e a fome de 10% da sua população, catalisados por uma crise energética emergente. Isso seria suficiente para unirmos todos para enfrentá-la. Mas uma fantasia alimentada para radicais, provoca uma crise política artificial que agora tem o seu apogeu previsto para o dia 7 de setembro, com ameaça de invasões do STF, Congresso, “levantes” e golpe nas instituições do Estado de Direito da democracia.
Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, afirmou recentemente que o chefe do Executivo tem necessidade de um inimigo para mobilizar suas tropas, e o atual inimigo é o Judiciário. Ao acentuar um confronto de fantasia, ele coloca o Executivo, Legislativo e Judiciário em um mesmo caldeirão, com inevitável agravamento da crise real e cujos maiores prejuízos recairão principalmente sobre os mais pobres, mas não pouparão nenhum setor da atividade produtiva nacional. Ele sabia que o pedido de impeachment do ministro Moraes não tinha respaldo jurídico e nem conseguiria fechar o STF, nem o Congresso, como sabe pela própria ABIN que não existia nenhuma irregularidade nas urnas eletrônicas. Ou seja, o governo promoveria essas fantasias para manter a sua base, que acredita em tudo o que ele diz, mobilizada e agressiva, em permanente campanha de instabilidade com objetivo de obter um lugar no segundo turno em 2022.
As Forças Armadas não embarcarão nessa aventura aloprada de golpe militar. São profissionais e respeitam a Constituição. Mas existem bolsões fanatizados em algumas Policias Militares, como já se observou no Espirito Santo e Ceará, com motins ilegais, e em São Paulo, com o afastamento de um coronel da ativa, acusado pelo governo local de indisciplina e desrespeito ao regulamento da corporação. O Exército nacional honra o seu patrono, Duque de Caxias, que acena com a harmonia e a pacificação. Que os minoritários da radicalização e do “levante” ocupem a avenida Paulista e a Esplanada dos Ministérios. Será a ocasião para sabermos se o Antônio Galvan, grande exportador de soja e arruaceiro-mor, vai se negar a vendê-la para a China, e para que possam eles chegar à borda do mundo, sem violência, e tomem tranquilamente um coquetel de cloroquina com ivermectina que possa mantê-los nas suas fantasias alopradas. A grande maioria dos brasileiros deverá trabalhar e suar na realidade mesmo.