Opinião
ÁGUA E ENERGIA
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Nos últimos meses, um velho fantasma voltou a assombrar os brasileiros. Depois de 20 anos , o País vive uma crise hídrica que ameaça o sistema elétrico e expõem ao risco de falhas de geração e transmissão de energia. O governo garante que não haverá racionamento de energia e que já vem tomando medidas para suprir a demanda, incluindo a importação de energia e o acionamento das termelétricas. Especialistas, entretanto, defendem a adoção de medidas mais efetivas para afastar essa possibilidade.
Até aqui, o governo vem apostando em um programa de redução voluntária do consumo de energia por parte de famílias e empresas, que deve ser lançado em setembro, o que é considerado insuficiente pelos técnicos. O fato é que os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste estão com 22% de nível de armazenamento, inferior ao nível de agosto de 2001, quando o governo federal foi obrigado a adotar o racionamento. Com ou sem racionamento, a crise hídrica já vem pesando no bolso do brasileiro há algum tempo. A conta de luz tem subido nos últimos meses, com o acionamento das termelétricas, que produzem energia a um custo maior. A tendência é que continue subindo, à medida que novas ações para garantir o fornecimento forem tomadas. Mesmo que o País passe por esse momento sem precisar racionar energia, o problema hídrico é algo com o qual não só o Brasil mas o mundo inteiro terá de lidar. A escassez de água afeta aproximadamente 40% da população mundial e, segundo estimativas das Nações Unidas e do Banco Mundial, secas poderiam colocar 700 milhões de pessoas em risco de deslocamento em 2030. Ao longo do século 20, o uso mundial de água cresceu mais do que o dobro da taxa de crescimento populacional. A crise da água tem estado todos os anos, desde 2012, entre os cinco maiores perigos na lista de riscos globais. Portanto, ao mesmo tem em que tem de se preocupar com a questão imediata da geração de energia, o Brasil precisará traçar um plano estratégico de médio e longo prazos sobre a gestão de seus recursos hídricos, além de diversificar suas fontes energéticas. Caso contrário, estará sempre assombrado por racionamento e apagões.