Opinião
INSEGURANÇA ALIMENTAR
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De acordo com o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani 2019), divulgado ontem (2), 47,1% das famílias brasileiras com crianças menores de 5 anos de idade vivem com algum grau de insegurança alimentar. Por grandes regiões, as maiores prevalências de insegurança alimentar foram detectadas nas regiões Norte (61,4% das famílias) e Nordeste (59,7%).
De acordo com o Enani 2019, mais de seis milhões de famílias brasileiras com crianças de até 5 anos de idade experimentaram algum grau de insegurança alimentar no período analisado e foram classificadas como insegurança alimentar leve (38,1%), moderada (5,2%) e grave (3,8%), que engloba famílias que passaram por privação efetivamente. Como o estudo foi feito em 2019, esse percentual deve ser bem maior atualmente por causa da pandemia do novo coronavírus. Segundo especialistas, o problema da insegurança alimentar envolve vários graus de causalidade. O principal é a falta de dinheiro para comprar comida. A cor de pele também é um marcador da desigualdade. Famílias brancas tendem a ser de melhor condição socioeconômica. O estudo aponta desigualdades no acesso a alimentos em quantidade e qualidade adequadas segundo raça ou cor. Os domicílios brasileiros com crianças menores de 5 anos apresentaram grau de insegurança alimentar menor entre as brancas (40%), do que entre as pardas (51,2%) e pretas (58,3%). Depois de reduzir as desigualdades e sair do mapa da fome, o Brasil está imerso em uma crise econômica desde 2015, com impactos negativos na renda da população, pelo aumento do desemprego, redução de programas sociais e aumento da informalidade. Esses fatos repercutem nos indicadores de desigualdade, que se agravou por causa da pandemia. A pandemia de Covid-19 pegou o Brasil no momento de fragilidade fiscal e com uma economia que dava passos muito lentos e graduais de recuperação, mas com ainda aprofundamento da pobreza e da desigualdade. Reverter esse processo depende da recuperação econômica, mas também de fortalecimento e aperfeiçoamento de políticas sociais de complementação de renda