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Opinião

VELHOS E NOVOS DESAFIOS

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O Brasil comemora hoje 199 anos de autonomia em relação a Portugal ainda em meio à pandemia do novo coronavírus e a um clima de grande polarização política, que acaba atrapalhando a retomada do crescimento e criando uma animosidade desnecessária e nociva.

O clima é pesado, mas é preciso olhar para a própria história brasileira e encontrar nela motivos de manter as esperanças. É bom lembrar que, antes da independência, praticamente não havia um sentimento de nacionalidade no Brasil. O território colonial brasileiro consistia de vários núcleos coloniais sem unidade política e econômica. Esse sentimento de nacionalidade só começou a se formar após 1822, quando D. Pedro, o jovem e impetuoso príncipe regente, forçado pelas circunstâncias, resolveu cortar os laços com a corte portuguesa. Na época, éramos um país formados de escravos e analfabetos. Tínhamos tudo para dar errado, mas graças a uma combinação de sorte, acaso, improvisação e sabedoria, o Brasil conseguiu manter-se unido e se firmar como nação independente. Mesmo com suas contradições, o império conseguiu manter o território unido, evitando que se repetisse que se fragmentasse em vários países. Mais ainda, superamos crises políticas e econômicas e, com avanços e reveses, nos tornamos uma das dez maiores economias mundiais. O Brasil de hoje deve sua existência à capacidade de vencer obstáculos que pareciam insuperáveis 199 anos atrás. Portanto, a resiliência parece ser nossa maior qualidade. A independência foi o primeiro passo de um caminho que tem se revelado difícil, longo e turbulento. Na década passada, a estabilidade econômica e a conjuntura internacional favorável fez o País se projetar como uma potência regional. Programas sociais ajudaram a reduzir a desigualdade, embora os problemas nas áreas de saúde, educação, saneamento, mobilidade e segurança pública, entre outros, não foram resolvidos. Nos últimos anos, a economia desacelerou. Ao completar 199 anos de independência, o Brasil se depara com novos e velhos desafios. A esperança é que, como em outras ocasiões, a nação e seu povo se mostrem maiores do que as crises.

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