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A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou agosto com alta de 0,87%, a maior inflação para o mês desde o ano 2000. Com isso, o indicador acumula altas de 5,67% no ano e de 9,68% nos últimos 12 meses, o maior acumulado desde fevereiro de 2016, quando o índice alcançou 10,36%.

Em agosto do ano passado, a variação foi de 0,24%. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Alimentos, combustíveis, energia elétrica são os principais vilões dessa subida de preços nos últimos tempos. Todos esses grupos subiram mais de 20% no ano, o dobro do reajuste médio. Essa inflação comprime o orçamento e limita o gasto com saúde, educação, lazer, transporte, roupas e calçados. O aumento do custo de vida vem sendo sentido com força nos pratos dos brasileiros – especialmente os mais pobres. Para as famílias com renda de um salário mínimo, o preço da cesta básica de alimentos chega a consumir 65,32% dos ganhos mensais. Segundo analistas, a crise foi potencializada pela pandemia, mas a realidade mostra que o País não estava preparado e não protegeu a própria economia para enfrentar a emergência sanitária de maneira mais sustentável. A inflação tem atingido setores que são essenciais para quem produz e para quem consome. Em consequência, a variação para cima é registrada nos índices relativos a toda a cadeia. Ao mesmo tempo em que energia elétrica, combustível e alimentos estão com preço em expansão, sobem os gastos das fábricas, do comércio, da construção civil e produção de comida. Para completar o quadro preocupante, há a instabilidade política. A avaliação dos analistas é que as crises sucessivas deixam o País mais longe de um ambiente propício ao avanço da agenda de reformas, minam a confiança dos investidores e atrapalham a atração de capital, o que tem impacto direto sobre a capacidade de crescimento do PIB. É preciso que o governo tome medidas efetivas para que controlar a inflação, pois o País não ode correr o risco de voltar a uma época de descontrole que havia até a década de 1990, situação que prejudica principalmente os mais pobres.

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