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Nº 5710
Opinião

Mundo c�o

RONALD MENDONÇA * Há alguns dias, em oportuno artigo, o professor Ib Gatto Falcão teceu comentários sobre as chocantes cenas de abuso sexual em crianças protagonizadas por um conceituado pediatra. Se as repulsivas imagens agrediram nossa condição de sere

Por | Edição do dia 13/04/2002 - Matéria atualizada em 13/04/2002 às 00h00

RONALD MENDONÇA * Há alguns dias, em oportuno artigo, o professor Ib Gatto Falcão teceu comentários sobre as chocantes cenas de abuso sexual em crianças protagonizadas por um conceituado pediatra. Se as repulsivas imagens agrediram nossa condição de seres humanos, como médicos, o sentimento é de humilhação e vergonha. Depois de relembrar a chacina provocada por um desvairado estudante de medicina da USP dentro de um cinema, Mestre Ib remete-nos aos tempos iniciais da Escola de Ciências Médicas de Alagoas quando tornou obrigatório o exame psicotécnico dos vestibulandos. Abandonada por razões desconhecidas, a avaliação, se bem aplicada e interpretada, servia como um valioso “peneirão” do perfil psicológico dos candi-datos, permitindo, nos casos indicados, direcioná-los para entrevistas pessoais. Confir-mando-se o transtorno, os por-tadores seriam encaminha-dos para tratamento médico/psicoterápico e submetidos a reavaliações periódicas, ao longo do curso, para evitar eliminações injustas. Com esses cuidados, casos como os de São Paulo talvez não ocorressem. A verdade é que o tema, pedofilia, pela importância e difusão, interessa a toda a sociedade. Ouve-se dizer que polícias do mundo inteiro estariam unidas para tentar conter essa praga. Talvez por isso que, há alguns meses, a Polícia Federal de Brasília tenha posto as mãos num outro pediatra, acusado de divulgar e estimular a pedofilia na Internet, que chegou a admitir que a praticava com os seus pequenos e indefesos pacientes. Infelizmente, abusos sexuais não se limitam às crianças nem aos consultórios médicos, odontológicos ou de psicoterapia. Propala-se sua existência nos escritórios de advocacia, nas delegacias (vide Glória Trevi), colégios, orfanatos, nas austeras salas da Justiça, comitês eleitorais, gabinetes parlamentares, cadeiras dos cabeleireiros, terreiros de macumba, e, até – desgraça das desgraças – na intimidade dos lares. Não menos chocantes são as denúncias de pedofilia praticadas por religiosos, particularmente sacerdotes católicos, americanos sobretudo, onde transpiram indícios de que a própria cúpula da Igreja tenta “abafar” ou finge que o assunto não é tão grave assim. Perversos reais ou imaginários, evidentemente, sempre existiram. O anticlerical Denis Diderot, por exemplo, filósofo e escritor francês do Século XVIII, em “A Religiosa”, descreveu com duro realismo frenéticas paixões envolvendo noviças e superiora num convento de freiras. Amaldiçoada pelo clero, pelo visto, a obra de Diderot não vai tardar em ser recomendada para vade-mécum de coroinha. (*) É MÉDICO E PROFESSOR DA UFAL. [email protected]

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