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Opinião

Al�vio ou solu��o?

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O Brasil conseguiu uma importante concessão do Fundo Monetário Internacional. Pois o FMI, atendendo uma reivindicação principalmente do governo brasileiro, decidiu incluir o nosso País na lista das nações que realizarão ?projetos pilotos? para avaliar a viabilidade da retirada do cálculo do superávit primário dos investimentos das estatais brasileiras. Será, sem nenhuma dúvida, um alívio para o país ? se a medida for realmente aprovada pelo Fundo, pois devido à rígida meta do superávit primário do país, a capacidade de investimentos governamentais é muito baixa. Também não deixa de ser uma vitória política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não apenas conseguiu promover uma articulação internacional para que a mudança fosse aceita pelo FMI, como soube combiná-la com a pressão política interna para que o governo alterasse a meta do superávit primário. No entanto, é preciso conhecer mais detalhadamente o ?projeto-piloto? do FMI para se mensurar o impacto que a decisão trará para o desempenho da economia brasileira no próximo ano. Deve ser considerado que dificilmente haverá tempo hábil para que uma medida desta natureza seja implantada em tão pouco tempo, ainda mais porque não existe ainda um consenso internacional sobre o assunto. De toda forma, é um avanço considerável dentro da ortodoxia praticada pela instituição o reconhecimento público de que o ajuste fiscal exigido pelo Fundo a diversos países pode ?ter contribuído, em algumas instâncias, para um gasto insuficiente em infra-estrutura?, como admitiu uma das diretoras do FMI. Em certa medida, se as novas regras forem aceitas pelo FMI significam uma sobrevida para a atual política econômica, convém não esquecer que os ?sólidos fundamentos? da economia brasileira foram abalados nos últimos quinze dias por avaliações sobre as reais condições do País cumprir as metas. A medida em estudo, se aplicada, será um alívio, mas pelo tamanho do sofrimento econômico e social que atravessa o Brasil, suas conseqüências, infelizmente, ainda poderão ser bem aquém do remédio necessitado pelo País.

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