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MESTRES DESVALORIZADOS

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Em 15 de outubro de 1827, o imperador D. Pedro I assinou um decreto que criou o ensino elementar no Brasil, com a instituição das escolas primárias em todas as cidades do País. Em 1963, o presidente João Goulart transformou a data no Dia do Professor para “comemorar condignamente” e “enaltecer a função do mestre na sociedade moderna”.

Entretanto, ao longo dos anos, a carreira vem sofrendo um processo de desvalorização, com baixos salários e falta de condições adequadas de trabalho. Não é surpresa, pois, que cada vez menos jovens manifestam interesse de encarar uma sala de aula. Um estudo publicado no ano passado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) serve como parâmetro objetivo para avaliar o nível de valorização do professor no Brasil. A instituição comparou a remuneração inicial de educadores do ensino médio em 40 países. O resultado é constrangedor: o Brasil ocupa a última posição no ranking, com US$ 13.630 anuais — cerca de US$ 1.135 dólares por mês. Ficamos atrás de Costa Rica (US$ 1.212), Colômbia (US$ 1.770), Chile (US$ 1.938) e México (US$ 2.283), por exemplo. A média entre os 40 países pesquisados é 2,5 vezes superior à brasileira: US$ 2.923 mensais. Faltam planos de carreiras atrativos, sobretudo em estados e municípios com orçamento restritos. Além disso, muitas escolas não oferecem estrutura adequada para o bom exercício docente, em geral com salas de aulas superlotadas. Há outras distorções. O Brasil ainda tem muitos docentes que atuam em áreas que não foram formados. Que a educação é fundamental para o desenvolvimento do País não há dúvida alguma. Entretanto, é preciso que a educação seja encarada como uma política permanente, e os professores são peças-chaves nesse processo. Melhorar a qualidade da educação no Brasil passa necessariamente pela valorização dos professores, não apenas na questão salarial, mas também na formação continuada e em melhores condições de trabalho. Neste 15 de outubro, não bastam apenas homenagens aos mestres com palavras. Eles merecem muito mais, principalmente valorização.

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