Opinião
O que a biotecnologia tem em comum com as mulheres?
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Há muito tempo sabemos que as diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho, apesar de alguns passos desiguais, vem sendo diminuída. Apesar dos grandes avanços obtidos nos últimos séculos, as mudanças são lentas e a disparidade entre homens e mulheres persiste no mundo todo e, na área científica, não é diferente. De acordo com a UNESCO, as mulheres representam atualmente apenas 30% dos pesquisadores no mundo todo.
No Brasil, quase 51% da população é feminina. Podemos afirmar que a capacidade cognitiva e intelectual da espécie humana é a mesma para ambos os gêneros. Felizmente, a sociedade vem mudando e tivemos muitos avanços em diversas áreas, especialmente nas ciências. Hoje, as mulheres representam mais de 53% do número de estudantes ingressos, matriculados e concluintes nos cursos superiores do Brasil (INEP, 2020), sendo responsáveis por cerca da metade de toda a produção científica do país (Elsevier, 2017). Os dados disponíveis para a avaliar a distribuição de gênero em cargos de direção de universidades e institutos de pesquisa são escassos, mas existe um consenso geral de que a maior parte dessas posições é ocupada por homens brancos. Por outro lado, em alguns aspectos, os números nos trazem alguma esperança: considerando todas as áreas de conhecimento, a proporção de mulheres mais jovens (entre 30 e 50 anos) na Academia de Ciências Brasileira é maior (21,3%) do que a proporção entre homens e mulheres com mais de 50 anos (8,9%). O mercado Biotecnológico, por exemplo, em expansão acelerada e com segmentos variados, já começa a questionar a necessidade de mulheres em cargos que vão além dos técnicos nas indústrias biotecnológicas. Um exemplo desse “novo olhar” das indústrias de biotecnologia, foi o movimento iniciado em junho de 2009, pela Comissão Europeia de Desenvolvimento da Biotecnologia, que promoveu um workshop denominado “A Global Look at Women´s Leader ship in Biotecnology Research”. Após esse evento, foi observado um grande avanço no reconhecimento dos méritos femininos, especialmente na área de biotecnologia. Em 1991, Ann Tsukamoto, uma cientista norte-americana, desenvolveu uma forma de isolar células-tronco, em 2018, Frances Arnold, professora do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), recebeu o Nobel de Química por sua pesquisa com enzinas geneticamente modificadas, entre muitas outras conquistas das mulheres na ciência. Em suma foi dado o “start” para incentivos de cargos líderes nas áreas biotecnológicas, que possam ser ocupados por mulheres. Obviamente o interesse deste encontro e de outros não é de cunho feminista, mas sim de interação entre “players” e posicionamentos estratégicos em cargos que possuem peculiaridades que a alma feminina pode, mais facilmente, elucidar. E a feminilidade é genética, e genética não se discute. Nós, enquanto sociedade, precisamos assegurar que as mulheres consigam oportunidades iguais no desenvolvimento de suas capacidades podendo ser em biotecnológicas ou em outra área científica qualquer.