Opinião
Guerra do algod�o
A competência da diplomacia brasileira é reconhecida no mundo. Os quadros do Itamaraty, formados pelo conceituado Instituto Rio Branco aprenderam a realizar uma política externa em consonância com os interesses nacionais. É verdade que ali não se faz política ?independente?, nem poderia ser um enclave dentro do governo. Mas, independentemente de governos, o pragmatismo da política externa do Brasil permeia os mandatos de diferentes presidentes da República, sendo uma marca reconhecida internacionalmente. Quem não lembra (ainda no período militar, no governo Geisel), quando o Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer a independência de Angola e, assim, contribuir para o reconhecimento internacional de seu primeiro governo marxista para desagrado dos Estados Unidos. Eram tempos duros, de guerra fria, mas o País tinha uma política externa de razoável autonomia. O mundo pós-guerra fria, um mundo unipolar sob a hegemonia americana, fez com que todos os países passassem a ter nos Estados Unidos a única referência prática, em termos de poder real. Nesse quadro, muitos acham que durante os tempos FHC o Brasil teria definhado em sua autonomia, tornando-se mais dócil e submisso em relação aos interesses e políticas norte-americanas. Em tal cenário, a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) foi apresentada como uma única opção: ou cada país das américas aceitava a proposta norte-americana, ou ficaria isolado no continente. No entanto, a tradição da autonomia volta a demonstrar sua força e tem essa posição valorizada em fóruns internacionais, como no recente caso do que ficou conhecida como a ?guerra do algodão?. A querela foi baseada nos encorpados subsídios que os Estados Unidos (apesar de toda a fala liberalizante) concede a seus produtores de algodão, criando assim condições artificiais desse produto sobrepujar os demais produtores ?amigos?. O Brasil recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o que considerava um protecionismo e ganhou, num primeiro estágio, a pendenga. Segundo especialistas ouvidos pelo jornal francês Le Monde, se a decisão for mantida, irá ?mudar no fundamental toda a dinâmica do processo de negociações comerciais dentro da OMC?.