Opinião
Crimes de guerra
A invasão do Iraque pelos Estados Unidos, desde seus preparativos iniciais, situou-se bem longe da aprovação internacional. Os protestos se multiplicaram mundo à fora, mas não foram suficientes para conter a iniciativa do governo do presidente Bush, que foi apoiado, incondicionalmente, pelo primeiro ministro da Inglaterra, Tony Blair. A maioria da população americana, ainda sob o impacto do 11 de setembro, também apoiou a iniciativa belicista. Os argumentos utilizados pelos governos americano e britânico para justificar a agressão ao Iraque (a existência de armas químicas capazes de serem acionadas em poucas horas) nunca foram considerados como tal, sabia-se desde o início que o Iraque seria alvo de uma ação vingativa, pois o Afeganistão não satisfizera o orgulho ferido da única superpotência. Assim, não constituiu nenhuma surpresa não serem encontrados nem indícios da existência de tais armas nos destroços do que foi a estrutura de poder de Saddam. A humilhação a que estão sendo submetidos os iraquianos também não pode ser vista como surpreendente, a própria ONU havia alertado para isso há mais de um ano. E igualmente não será surpresa quaisquer desumanidade que possa estar sendo praticada no campo de prisioneiros situado em Guatánamo (base americana em Cuba transformada em prisão de ?talebans?). Na base de todas essas comprovações, denúncias e suspeitas de humilhações e torturas está algo condenável: a vingança. Vingança cega, inconseqüente e que expõe a única superpotência global à desconfiança e condenação internacional. Felizmente, parece que parte dos americanos começa também a perceber o buraco onde foram metidos e onde estão mergulhando o mundo. Importantes veículos de comunicação nos Estados Unidos, como o The Economist e o New York Times chegaram às bancas nos últimos dias cobrando, em manchetes, a demissão do todo-poderoso secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld. Pode ser uma luz no fim do túnel (além dos clarões dos bombardeiros e das explosões de homens e mulheres bombas) no qual estão sendo afundadas as esperanças de paz no novo milênio. Essa sim, seria uma ótima surpresa: uma nova política, uma política de busca da paz, sem crimes de guerra, sem guerras.