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Argumentum ad Crumenam

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Duas cidades importantes que têm na base de sua economia o turismo, Fortaleza e o balneário Camboriú investem pesado na ampliação de sua faixa litorânea. Toneladas de areia são remanejadas para reocupar o espaço tomado por espigões que avançaram gulosamente no que seria o domínio natural do Oceano Atlântico, permitindo ainda a proliferação de parasitas na praia ensombrada. Tenta-se conter a fúria da natureza, que ameaça retomar o seu espaço perdido ao longo de décadas sem poupar nada nem ninguém. Em Alagoas, podemos constatar essa devastação em muitas regiões, entre elas a Ponta Verde. As alterações climáticas estão entre as razões para isso, segundo os especialistas.

A destruição dos recursos naturais do planeta, que traz aquecimento global, pandemias e alterações climáticas extremas, é um dos três motivos (junto com a dissolução da privacidade pessoal pelos algoritmos da internet e a desinformação daí gerada) a angustiar as pessoas sensíveis. Segundo especialistas, ao firmar compromissos climáticos na COP-26 e revisar as metas de redução de gases efeito estufa, o Brasil dá uma sinalização positiva à comunidade internacional. Precisa, porém, mostrar que vai colocá-los em prática, se quiser colher os frutos do novo posicionamento. Para o embaixador britânico no Brasil, Peter Wilson, a palavra-chave é implementação. “Se quiser atrair investimentos de fundos privados, o Brasil vai ter de provar que protege o meio ambiente. O Brasil quer mais investimentos em sua economia, mas, no futuro, não vai ser possível atrair os fundos maiores sem uma política ambiental clara nos níveis federal e estaduais. Fundos públicos de outros governos, incluindo os do Reino Unido, vão ser usados onde são mais efetivos”, disse. É o Argumentum ad Crumenam (o apelo à bolsa quando os outros argumentos esvaíram-se)

Os mesmos especialistas dizem que parece improvável uma mudança tão consistente da política ambiental atual, mas é um fator positivo porque estabelece compromissos do Estado que terão de ser cumpridos no futuro. Afirmam ainda que nesses casos o que pesa mais é o histórico do governo, e nos últimos dois anos aumentaram as emissões; em plena pandemia, quando o mundo todo reduziu as emissões de CO2, o Brasil conseguiu a proeza de aumentá-la em 9, 5%. Lembram que no Congresso americano existe um projeto para penalizar drasticamente os descuidados com a natureza, que pode ganhar força e ser aprovado se o Brasil recomeçar a ter recordes de queimadas e emissões de gases no ano que vem. Todos estão vendo uma postura diferente do Brasil, mas existe um ceticismo internacional em relação ao governo brasileiro. O representante de um dos maiores fundos privados do mundo, de Abu Dhabi, afirma “É um tema de preocupação mundial, não é só de ambientalista”. Nem só dos poetas, como Garcia Lorca, do sublime “Verde que te quero verde”.

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