Opinião
Rio em ebuli��o
Aumenta a pressão dos excluídos e marginais no Rio de Janeiro. Algumas proposituras, se não tivessem partido de autoridades daquele Estado (uma referência nacional), não mereceriam sequer algumas poucas linhas num canto de página de jornal. Em função do desespero da população carioca prosperam idéias as mais estapafúrdias na esfera das mais altas autoridades públicas cariocas. Uma dessas autoridades cariocas chegou a sugerir a construção de um muro isolando os morros dos bairros nobres da cidade. Existe uma relação de causa e efeito entre aumento da população favelada e da violência. Seria primário, no entanto, colocar esse crescimento (como fazem os defensores do apartheid carioca) como a causa principal da violência desenfreada naquele Estado. As causas do crescimento significativo da população favelada são também as causas da violência urbana e podem ser elencadas na ?rubrica? exclusão social. O inchaço da população favelada é apenas a comprovação disso. Enquanto a população brasileira como um todo cresceu 1,64% ao ano, os moradores de favelas cresceram 4,32% (dados colhidos na década 1991 ? 2000). Não há como não explodir. O fator natalidade elevada dos pobres não pode ser usado como bode expiatório. Esse é um fato, mas como negar o direito à maternidade sem oferecer nenhum outro direito real a essa mesma população? Acaso se a pobreza procriar menos, o Estado brasileiro retribuiria com projetos reais de inserção social como parte de um grande projeto de reconquista do crescimento econômico e desenvolvimento social. Até agora, pelo menos nos últimos dez anos, nada tem sido feito nesse sentido. Para os excluídos, tanto faz ter um como ter cinco filhos: todos estão condenados à fome, à deseducação e ao desemprego. Ter mais, nessas circunstâncias, pode ser até uma vantagem, pois pode representar mais bolsas-alguma-coisa em algum programa assistencialista governamental ou não-governamental. Naturalmente, a anarquia bandida deve ser combatida e são bem-vindas as ações policiais, inclusive com a intervenção federal. Mas isso é apenas um paliativo. A panela de pressão continua sobre o fogo, sibilando avisos de que pode explodir de verdade a qualquer minuto.