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Opinião

DISTRIBUIÇÃO DESIGUAL

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Quando parecia que a pandemia do novo coronavírus estava controlada, eis que uma nova cepa, ainda mais perigosa, começa a se espalhar pelo mundo, a partir do continente africano. Como medida preventiva, vários países, inclusive o Brasil, começaram a fechar suas fronteiras para pessoas vindas de lugares onde a variante já foi detectada.

Ontem, a Organização Mundial da Saúde declarou que o risco global relacionado à variante Ômicron do novo coronavírus é “muito alto”, dadas as possibilidades de que a cepa escape à proteção das vacinas disponíveis e tenha “vantagens” na transmissibilidade. A OMS exorta a comunidade internacional a acelerar a campanha de vacinação, especialmente entre os grupos mais vulneráveis, e a preparar os sistemas de saúde. Ocorre, porém, que o problema expõe a desigualdade na distribuição das vacinas. Enquanto, a Europa discute a quarta e quinta doses dos imunizantes, a grande maioria dos africanos não recebeu nem sequer uma simples dose. Países ricos, que haviam prometido enviar vacinas a nações mais pobres, não cumpriram o compromisso. Além disso, a maioria das doações de vacinas anticovid à África tem sido feita com pouca antecedência e com vida útil curta, o que tornou difícil para os países planejar campanhas de vacinação e aumentar a capacidade de absorção. Até agora, mais de 90 milhões de doses doadas foram entregues ao continente por meio da Covax e do Avat, número que não inclui as vacinas recebidas em resultado de acordos bilaterais. Para alcançar taxas de cobertura mais elevadas em todo o continente, e para que as doações sejam uma fonte complementar ao abastecimento por meio de compras, essa tendência tem de mudar. Os países precisam de um abastecimento previsível e confiável. Superar a pandemia do coronavírus exige um esforçou global, que envolva todos os países. É preciso que as vacinas cheguem a todas as partes do globo. Fechar as fronteiras é só uma medida paliativa. A única resposta eficiente contra qualquer variante é a vacinação em massa.

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