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Opinião

Com alguma luz

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?Sem? virou um prefixo que marca a atual quadra do tempo. Sem-Terra e Sem-Teto ? por exemplo ? estão presentes em toda a mídia brasileira, praticamente todos os dias. Recentemente, os ?Sem-Luz? acenderam o pisca-pisca de alerta. Ensejam profundas ilações esse termo, incorreto desde a origem, posto que os que se pretendem enquadrar nessa categoria querem mesmo é ter energia elétrica; destarte deveriam se rotular de ?Sem-Eletricidade?, seria mais escorreito. Para salvaguarda da beleza filosófica e profundidade da palavra luz, chamaremos aqui esses reivindicantes de ?Sem-Eletricidade?, lembrando a energia (política, organizativa...) sempre abundante nesses grupos. Eletricidade é algo essencial para o usufruto do mundo moderno. Não apenas para o lazer, mas para o trabalho, em primeiro lugar. Eletricidade essencial também para a saúde, uma vez que dos hospitais aos postos de enfermagem os aparelhos salvadores de vida dependem dessa forma de energia. Há quem, por romantismo, procure em acampamentos eventuais, ou colônias de amantes da Natureza, o afastamento dessa força do mundo contemporâneo ? é verdade ? mas isso é um luxo praticado por quem já acumulou bons recursos materiais graças, entre outras coisas, à energia elétrica. Afora raras exceções, quem não é usuário da eletricidade, não é usuário de boa parte da cidadania. Segundo estimativas do programa Luz no Campo, 65,5 mil domicílios alagoanos ? que hoje estão excluídos do uso da eletricidade ? serão incluídos na rede elétrica até 2008. Uma boa notícia. Essa boa notícia acende um foco sobre o tamanho da Alagoas sem eletricidade. Quantos alagoanos mesmo estão fora desse facho de energia? Quantos são mesmo os ?sem eletricidade?? Sem dúvida, esse número não está completamente na sombra e com um bom estudo dos números do Censo do IBGE uma luz banhará esse problema, quantificando-o e oferecendo uma visão clara sobre a extensão da exclusão social no Estado. Substituir a gambiarra ou o lampião por uma ligação decente à rede elétrica é um primeiro passo no rumo do enfrentamento dos graves problemas vividos pelos ?sem-quase-tudo?. É uma luz, tênue luz, no meio do túnel social.

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