Opinião
Paci�ncia e esperan�a
Por mais boa vontade que a ampla maioria da mídia brasileira demonstre para com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não é possível esconder o contraste entre os formidáveis ganhos dos bancos e a situação de penúria da maioria da população do país. Enquanto persiste as perdas na renda dos trabalhadores brasileiros e as altas taxas de desemprego, apesar da recuperação esboçada (crescimento da produção industrial de 5,09% em relação ao último trimestre de 2003), as perspectivas de um melhor desempenho da economia para o decorrer do ano teimam em estimular desesperanças. A Sondagem de Expectativas do Consumidor ? pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas ? em sua edição de abril, apontou queda de 70,31% (em janeiro) para 59,09% (em abril) das pessoas que acreditam terem melhorado de vida ou continuado igual nos últimos seis meses. Já os que acham que a situação piorou, passaram de 20,69% para 40,91%, no mesmo período. A coordenação da sondagem atribuiu esse resultado ao expressivo aumento (o dobro) daqueles que acreditam ter havido piora e não ao aumento do pessimismo, mas sim a diminuição do otimismo, mero detalhe que não esconde o crescimento da desesperança. Nem os mais empedernidos adversários do governo Lula podem negar que está havendo uma lenta e gradual retomada do crescimento econômico, que poderia ser ainda mais vigoroso, se o Comitê de Política Monetária do Banco Central não tivesse interrompido a trajetória de queda da taxa Selic ainda no engatinhar deste ano. Todos os analistas dão um peso bastante significativo para a queda nos juros básicos da economia. Os analistas econômicos apontam os riscos desta recuperação ser interrompida por um choque externo (fuga em massa de capitais, provocado pelo aumento dos juros nos Estados Unidos e pela desaceleração do crescimento da China). A população, mesmo sem ter acesso às informações privilegiadas destes profissionais, sente diretamente na pele os efeitos de uma recuperação lenta, real, porém incapaz de ampliar significativamente a oferta de empregos e estancar a corrosão da renda dos trabalhadores.