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Opinião

Sorrisos amea�ados

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Mais um contingente se junta às legiões dos ?sem? no Brasil: os sem-dentes. E esse é um contingente gigantesco, assustador. O tamanho desse problema pode ser mensurado através de estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a pedido da Organização Mundial da Saúde. A Fiocruz realizou um levantamento em todo o País sobre as condições de saúde da população brasileira e o acesso ao atendimento médico, quando necessário. O resultado é revelador do quadro de miséria em que vive boa parte da população. Se descortina que alguns dos problemas de saúde que afetam os brasileiros poderiam ser resolvidos, ou minimizados, por medidas simples e baratas. Como informação, por exemplo. É o caso da população desdentada do país. Segundo o levantamento, 24,5 milhões de brasileiros estão nesta situação, representando 14,4% da nossa população. E mais grave ainda é a situação daqueles na faixa etária a partir de 50 anos, quando o percentual sobe para 37,8%. A desigualdade social, como não poderia deixar de ser, também se revela de modo emblemática na banguela dos brasileiros: entre os mais pobres, os sem-dentes chegam a 17,5%, embora estejam presentes também entre os mais abonados, só que em proporção bem menor: 5,9%. Uma das coordenadoras da pesquisa reconheceu ser muito recente a preocupação das autoridades públicas de saúde com a questão. Em decorrência, a falta de informação e orientação faz com que as camadas mais pobres da população não consigam tratar adequadamente dos dentes e assim evitar a sua perda. Além do óbvio prejuízo da perda da dentição, o pobre geralmente é tão despossuído que não dispõe de recursos para comprar uma dentadura. A falta de informação e orientação entre os desdentados, provenientes de sua condição social, pode ser apontada como a principal causa do problema. Como se sabe, prevenção é o fundamental para garantir uma boa dentição. E aí a educação, a informação joga papel decisivo. Sem prevenção, o tratamento dentário é geralmente um vale de sofrimentos físicos e financeiros. Num País onde a falta de dinheiro e o desemprego avassalador somam-se à desinformação e à educação precária, o resultado de tal pesquisa não poderia ser outro.

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