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Opinião

Natal com amor e sem ódios

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Conheço com proximidade uma pessoa que foi criada em um lar cuja mãe era uma evangélica presbiteriana daqueles tempos quando eles viviam tão próximos da Bíblia quanto distantes do “toma lá dá cá” da política fisiológica. Ela aguardava ansiosamente o Natal e o realizava com espartanos cultos familiares onde se lia o Novo Testamento e se cantavam hinos de louvação. A solidariedade e a compaixão eram compartilhadas também com remotos despossuídos. Não existiam presentes, era suficiente o acalanto da presença dos que se gostavam. Até seus últimos dias, a idosa viveu continuamente e não só o Natal como se fora a própria encarnação do axioma de Sófocles: “Eu não nasci para partilhar ódios, mas somente amor”.

O Papa Francisco, em sua última Missa do Galo, instou aos fiéis: “Não perder a esperança, não pensar que amor seja tempo perdido, não esqueçam os sentimentos de fraternidade e solidariedade, porque eles são a única maneira de melhorar o mundo “. Entretanto, um tsunami de ódio engolfa o País. Todos os dias é uma nova e gigantesca onda que se ergue ameaçadoramente: agora ela vêm na forma de boicote às vacinas da Covid-19 para as crianças de 5 a 11 anos, cuja aplicação é uma unanimidade na ciência internacional e respaldada pela ANVISA, mas que estremece aos mesmos terremotos que teimam em atormentar a população, como se as escolas pudessem reabrir e funcionar com crianças infectadas pelo vírus, sendo transmitido para professores, colaboradores e fechando-as repetidamente, infectando e eternizando a pandemia nos idosos. Deslustram a importância das crianças para o Redentor em “Vinde a mim as criancinhas”, registrada em Lucas 9:46-48; Mateus 18:1-6; Marcos 9:33-37. Arrogantemente, desprezam a máxima popular: se plantam ódio, como colher amor? Mas precisamos ser fortes, serenos, equilibrados e sobreviver a esse tsunami, Martim Luther King afirmava: “Não permita que ninguém o faça descer tão baixo a ponto de você sentir ódio”. Uma pastora batista de Maceió foi vítima de ameaças homofóbicas por ter celebrado o amor e a compaixão em sua igreja. Ela apenas demonstrou que não é possível estar cheio de Deus e continuar carregando ódios, mágoas e ressentimentos. O empresário Abílio Diniz, depois de ser vítima de um sequestro, afirmou: “Tanto o amor quanto o ódio têm capacidade de nos mover, mas cada um nos conduz a um destino diferente”. É como se o Evangelho de Lucas 6:27-29 (Ame seus inimigos, faça o bem para aqueles que te odeiam, abençoe aqueles que te amaldiçoam, reze por aqueles que te maltratam) o tivesse auxiliado a suportar tamanho infortúnio. Mas não se exija tanto desse povo tão sofrido quanto o brasileiro, que, faminto, luta para botar a comida do dia no prato da família. É preciso conter essas incansáveis fontes geradoras de ódios, isso é ecumenicamente conciliador. Jorge Luís Borges, mesmo cego, enxergou: “Parece-me fácil viver sem ódio. Sem amor acho impossível”.

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