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Opinião

Neg�cios da China

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O que é bom para a China não seria necessariamente bom para o Brasil, como em relação a quaisquer comparações ligeiras entre países e povos distintos. Sempre existirão incompatibilidades em aspectos culturais, sociais, econômicos e políticos. Por esse motivo, modelos macroeconômicos são vulneráveis a inúmeras variáveis envolvidas que condicionam os resultados obtidos de acordo com as especificidades de cada economia. Em visita à China, a maior comitiva brasileira já enviada àquele país poderá travar conhecimento mais de perto com um modelo eficaz de desenvolvimento econômico de características particulares. Não é exemplo que possa ser seguido ou imitado de forma mecânica, mas os brasileiros têm a obrigação de estudar atentamente essa potência emergente, que vem mantendo as taxas de crescimento econômico mais altas do mundo. Nosso maior problema é o crescimento econômico. É necessário que o governo federal desate o nó do modelo posto em prática no Brasil nos últimos anos. A base desse figurino é formada pelo sistema de alta taxa de juros como principal instrumento de controle da inflação e obtenção de superávits primários elevados. Desmontar esse modelo não é fácil. Primeiro, porque implicaria em redirecionar o foco da política econômica para a promoção do desenvolvimento e não para o controle da inflação e o pagamento da dívida pública a qualquer custo. Segundo, porque teria de haver uma mudança geral no comando da economia brasileira (tanto no Ministério da Fazenda como no Banco Central), sem falar nas dificuldades políticas que o governo federal enfrentaria no curto prazo com tal mudança. Não existe nenhum indício de que poderá haver alteração significativa na política econômica do governo até o final do atual mandato presidencial. Continuaremos crescendo a taxas incompatíveis com as nossas necessidades. Apenas com a ocorrência de um choque externo é que poderá haver mudança de rumos. Nesse caso, ou aprofundando o modelo neoliberal em voga ou abandonando-o por um outro que privilegie o crescimento econômico e o emprego. Mais uma vez, é bom aprender algo com a potência amarela. Pode ser um negócio da China.

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