Opinião
2021 se foi, chegou 2022
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2022 chega com renovadas esperanças para o povo brasileiro, e por algumas razões que em outras épocas poderiam até passar despercebidas. Uma delas, é que mantivemos a nossa democracia vigorosa e as suas instituições preservadas, mesmo depois de serem submetidas aos maiores e mais vis ataques desde a redemocratização. A democracia nos propiciou o suporte para que as vítimas da pandemia de Covid-19 não fossem ainda mais numerosas de que aquelas do massacre que abateu o Brasil e os prejuízos para a nossa economia não fossem ainda mais draconianos. Sem a atuação efetiva do STF, dos governos estaduais e municipais, da comunidade científica e de um Senado Federal eficiente, respaldados por uma opinião pública mobilizada e uma imprensa livre, independente e atuante em defesa da vida e da dignidade humanas, não teríamos o avanço atual da vacinação contra a Covid-19.
A participação da população brasileira nesse processo foi uma página gloriosa em nossa História. Majoritariamente alinhada à democracia e antagônica aos extremismos propostos por uma minoria negacionista radicalizada, manteve a sua adesão à vacinação, uma identidade cultural obtida durante décadas e que eleva nosso país a um patamar altíssimo no Concerto das Nações e o destaca como um dos mais avançados em relação ao comportamento coletivo em saúde pública. Selma Lagerlöf escreveu: “Cultura é o que subsiste quando se esqueceu tudo o que se tinha aprendido”. Essa empatia constitui hoje um admirável patrimônio nacional, que o negacionismo tentou e tenta destruir, agora boicotando as vacinas para as crianças, que, se não vacinadas, serão um depósito de vírus a contaminar a todos, a eternizar a pandemia e dilapidar a economia nacional. Sem vacinas, com a política enganadora da imunidade de rebanho e das “drogas milagrosas”, o desastre brasileiro seria indescritível e infindável. 2022 chega amplo de desafios, entre eles desemprego, subemprego, crescimento da informalidade e redução da arrecadação e inflação alta, contrastando com um cenário onde categorias do serviço público já privilegiadas são ainda mais beneficiadas, em detrimento também da higidez das contas públicas. Santo Agostinho, atualíssimo, escreveu: “A maior caridade é habilitar o pobre a ganhar a sua vida”, e uma das maiores chagas nacionais é a desigualdade social, principalmente nas oportunidades, como a educação, para desenvolver os potenciais de jovens despossuídos que sem elas são privados de qualquer futuro. Nesse cenário desolador, a busca por alguma solidariedade social mínima têm no SUS seu sustentáculo, necessitando-se fortalecê-lo para adequar-se à premissa da Dra. Clarisse Etienne, diretora da OPAS: “Acredito firmemente que a boa saúde está enraizada na equidade, universalidade, solidariedade e inclusão”.