Opinião
ATRASO
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Entre 2020 e 2021, quase 3,5 milhões de estudantes abandonaram as universidades privadas, uma taxa de evasão de 36,6%. Os índices são de uma projeção feita pelo Semesp, instituto que representa as mantenedoras do ensino superior no Brasil e divulgados pelo portal G1.
Segundo a entidade, os estudantes mais afetados são aqueles com maior vulnerabilidade social. São os que geralmente precisam trabalhar para poder estudar. A maioria estuda à noite. E tiveram perda de emprego, ou perda de renda por trabalho informal. Dessa forma, não conseguiam pagar a mensalidade ou não tinham infraestrutura para assistir às aulas remotamente. Quando o dado do Ensino a Distância (EAD) é separado do ensino presencial, a taxa é ainda mais alta. Em 2021, houve 43,3% de evasão no EAD — número maior, inclusive, que o de 2020 (40%). As taxas de inadimplência nos dois anos de pandemia também foram as maiores já registradas. No ano passado, pela primeira vez, ela chegou perto de 10%. Em Alagoas, essa situação atingiu principalmente os estudantes do interior. A maior dificuldade foi a informática, uma vez que em grande parte dos municípios o acesso à internet ainda é precário. Muitos alunos tiveram dificuldades com as aulas remotas, seja pelo formato seja pelas dificuldades estruturais, como a falta de um bom computador e de uma boa conexão. Apenas 18% dos jovens de 18 a 24 anos no País estão no ensino superior. A meta do Plano Nacional de Educação seria atingir 33% dos jovens até 2024, mas a pandemia tornou essa meta improvável. Especialistas dizem que, para um país desenvolvido, é necessário que cerca de dois terços da população tenha escolaridade superior. Sem isso, não se consegue ganhar em eficiência, em competitividade, em desenvolvimento de indústrias de ponta. Assim como o ensino fundamental, o ensino superior foi duramente atingido pela pandemia, com prejuízos para a aprendizagem. É preciso que o País tenha uma estratégia para recuperar esse tempo. Ainda vai levar alguns anos até que se volte ao nível pré-Covid, mas não se deve perder tempo. Melhorar a educação é fundamental para o desenvolvimento do País.