Opinião
CENÁRIO DESAFIADOR
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Os dados sobre a inflação divulgados ontem pelo IBGE apenas comprovam aquilo que o brasileiro vem sentindo no bolso nos últimos meses. De acordo com o instituto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que representa a inflação oficial do País, atingiu 10,06%. O resultado fica acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 5,25%, e é o maior em seis anos.
Para o Banco Central, a pandemia de Covid-19, a elevação do preço global das commodities e a crise hídrica foram responsáveis pela inflação estourar o teto. De fato, a alta generalizada dos preços nestes tempos de pandemia não é um problema unicamente do Brasil. A disparada nas cotações do petróleo, problemas na cadeia de suprimentos e falta de mão de obra são fatores considerados determinantes para o aumento da inflação. Durante meses, o Banco Central americano tratou a inflação como um problema transitório. Até que na última reunião, o Federal Reserve admitiu que as pressões têm sido persistentes e não devem desaparecer em 2022. Outros países não acostumados com o problema também estão enfrentando a alta inflacionária. No Reino Unido, a inflação está no maior patamar em uma década (5,1%). Já na Alemanha, maior economia da Europa, o índice de preços ao consumidor é o maior em 30 anos (5,2%). No caso do Brasil, há ainda um outro fator: a escassez hídrica. O fraco regime de chuvas levou ao acionamento de termoelétricas e de outras fontes de energia de custo mais elevado durante a segunda metade de 2021, resultando em aumento expressivo das tarifas de energia elétrica. Em setembro, foi criada e acionada uma bandeira extra, o que causou aumento de 49,6% sobre a bandeira anterior e de 5,8% sobre a tarifa de energia elétrica ante o mês anterior. Analistas avaliam que o cenário é bastante desafiador para o quadro inflacionário no Brasil. Pode haver uma melhora no médio prazo, mas, se o dólar continuar num patamar elevado, haverá repasse para os preços. Caberá à equipe econômica adotar medidas que acalmem o mercado e aliviem a pressão sobre o câmbio, aliviando também o bolso dos brasileiros.