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Opinião

Sem chabu

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Tornou-se popular, há muitos anos, uma ?máxima? baseada na propaganda de uma marca famosa de fogos de artifício, que garantia ?não dar chabu? (também usava-se ?dá? no lugar de ?dar?, como é comum no falar e escrever popular). Segundo o Aurélio, a palavra se origina no som produzido por defeitos de fabricação nos busca-pés de limalha. Frustrar as expectativas do público era ?chabu? ? ou seja, o foguetório não explodia, ou espocava acanhado, ou pior, se implodia. Acontecer algo errado era, portanto, chabu. Devemos, além de torcer, cobrar estudos e acompanhamento permanente à ?indústria? de fogos de artifício alagoana para que nada dê errado por lá. As fábricas artesanais de fogos de artifício localizadas em Alagoas, e tema de reportagem publicada na GAZETA no domingo passado, são uma bela demonstração da criatividade empresarial e da determinação popular em trabalhar, sem ser produtiva em todas as oportunidades. É uma atividade perigosa, sempre foi e não tem como não ser, afinal se manipula explosivos. Mas faz parte da cultura popular brasileira (e de boa parte do mundo) e forma nichos de mercado bem conhecidos e generosos, como os das festas juninas. Fora isso, são usados (em menor escala) no dia-a-dia, em comemorações variadas, sendo usual nos eventos esportivos. Ações como a do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil são necessárias e benéficas, exatamente porque são orientadoras e incentivadoras em primeiro lugar. Esse não é o caso das ações fiscalizadoras punitivas, onde multas e outras autuações são os resultados e as conseqüências são geralmente ou o fechamento da fabriqueta ou a submersão da atividade na clandestinidade, o que multiplica os perigos para todos. Nesse aspecto é igualmente educativa a ação fiscalizadora do Exército, indispensável pelo uso de explosivos nessa atividade. Da mesma forma, o acompanhamento do Corpo de Bombeiros é indispensável na elaboração de respostas práticas aos naturais riscos dessa produção. Além do apoio, cabe maior estudo econômico desse setor. Não seria possível uma ampliação industrial dessa tendência? Mesmo artesanal, a produção alagoana de hoje ultrapassa as divisas do Estado. Se fosse em outros ramos de atividade, poder-se-ia dizer que esse é um negócio que tem tudo para explodir. Batendo na madeira três vezes, podemos trabalhar para que o negócio de fabrico de fogos em Alagoas não dê chabu jamais.

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