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Opinião

O preço do descuido

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Por Editorial | Edição do dia 15/01/2022 - Matéria atualizada em 14/01/2022 às 21h51

Quem se dispor a visitar o portal do governo brasileiro, especialmente a página do Ministério do Desenvolvimento Regional – onde estão as publicações digitais -, vai se defrontar com farto e valioso material para construção coletiva do conhecimento de riscos em geral.

São legislações, mapas, estudos técnicos, diagnósticos, cartilhas explicativas e manuais. Alguns remetem ao início deste milênio e já enfocam, de maneira didática, os desastres, sejam eles naturais, produzidos pela civilização ou de causa biológica.

Ainda há no site do governo federal planos de contingência, guias para exercícios simulados e orientações para formalização de convênios. São informações que estão à disposição de todos, sobretudo dos gestores públicos. No texto explicativo, o objetivo: difundir conhecimento com vista à ação governamental em casos de riscos e desastres. E também contribuir com a formação de uma consciência nacional sobre proteção, seja ela individual, comunitária, patrimonial e ambiental.

A tragédia ocorrida em Capitólio-MG, com perdas de vidas humanas, volta a escancarar um lamentável e persistente costume, que é o do descuido e da imprevidência. Na catástrofe da barragem de Brumadinho, que produziu duzentos e setenta mortes, a investigação formou a convicção de que o fato poderia ter sido evitado. Apesar de tudo, outras dezenas de barragens continuam ativas, e com riscos semelhantes.

“Infelizmente, só temos o hábito de dar atenção depois que alguma tragédia acontece”, afirmou Tiago Antonele, do Serviço Geológico Brasileiro. Ele reconhece que há falta de monitoramento geológico em áreas de visitação turística. A afirmativa do geólogo vale para a desastrosa mineração de sal em pleno centro urbano de Maceió, onde não deveria ter ocorrido. Durante meio século, a empresa responsável pela operação passou incólume a uma constante e eficiente inspeção. A professora e geóloga Rochana Lima, da Ufal, reforça a necessidade de um monitoramento bem além das áreas urbanas, e que também inclua o geoturismo. Somente agora, após contato de autoridades sergipanas, o governo Renan Filho se movimenta para inspeção conjunta do cânion do São Francisco, na divisa com o Estado vizinho. Se houvesse uma efetiva e permanente fiscalização dos pontos de risco, o poder público teria avançado bem mais em ações preventivas, no curso do tempo. Temos áreas ribeirinhas e encostas ocupadas desordenadamente, além de cânion, praias com falésias e outros pontos de visitação turística que certamente possuem perspectivas de risco. Nunca é tarde lembrar: a cultura da prevenção salva vidas e custa muito menos que o descuido de quem só remedia.

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