Opinião
NOVO PICO
.
Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz divulgado ontem pela Fundação Oswaldo Cruz revela aumento significativo do número de casos da doença no Brasil, com média de 49 mil registros por dia, seis vezes mais do que o observado no início de dezembro de 2021. O documento destaca, porém, que, graças à eficácia da vacinação, que completou um ano, o número de mortes não acompanhou o aumento do número de casos no País.
Referente às semanas epidemiológicas 1 e 2 de 2022, compreendendo o período de 2 a 15 de janeiro, o boletim revela que piorou a situação dos leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) destinados a pacientes com Covid-19, em comparação aos dados das duas últimas semanas. A distribuição dos casos de internação e morte nos grupos etários chamou a atenção dos pesquisadores, que perceberam mudança no perfil das internações desde dezembro: tanto para internações quanto para óbitos, destaca-se maior presença de pessoas mais jovens. Os dados reforçam a informação divulgada ontem pela Organização Panamericana de Saúde (Opas) de que as infecções pela Covid atingem novos picos no continente americano, com 7,2 milhões de novos casos e mais de 15 mil mortes relacionadas à doença na semana passada. Os especialistas destacam a importância da campanha de vacinação, que alcançou resultados positivos e demonstrou a efetividade dos imunizantes, sobretudo para reduzir hospitalizações e óbitos. Apesar disso, os desafios permanecem. É preciso avançar com a cobertura vacinal em populações com menor acesso aos imunizantes ou grupos com resistência às vacinas; de aumentar a cobertura de vacinação infantil iniciada recentemente e de prover doses de reforço para proteção mais efetiva, inclusive contra novas variantes do coronavírus. O fato é que o avanço da variante nas próximas semanas e meses vai depender das medidas de saúde pública para contê-la, inclusive o uso de máscaras e do distanciamento social, além de, principalmente, a vacinação para reduzir a gravidade de casos e hospitalizações. Nunca é demais ressaltar: ainda não é hora de relaxar.