Opinião
O emissário fujão (I)
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Sou alertado pelo tilintar do telefone. Em grande parte deixo de atender com a proliferação dos chamados trotes que constantemente importunam os menos avisados. Acomete-me um aviso e se fosse a notícia que vamos receber em dia os nossos proventos? Atendi! Era a voz do colega Roberto Santos, Gerente Executivo e Comercial que estava me comunicando o aparecimento do trecho do emissário naufragado! Era o ano de 1987 e o governo estadual mudara-se.
A notícia correu mundo pois poucos acreditaram que um tramo com 168m de comprimento (bem maior que o comprido Maracanã) e 1,45m de diâmetro interno, constituído de tubos metálicos soldados entre si com quase 3 cm de espessura, protegidos por uma camada de 15 cm de concreto, tivesse desaparecido preso a cabos metálicos e a dezenas de flutuadores no terminal açucareiro do Porto de Maceió! O tramo iria para lá rebocado a fim de receber a indispensável proteção catódica. Era o último a ser depositado no fundo silencioso do mar! Estávamos jubilosos e orgulhosos todos nós, técnicos, Secretário, Presidente Rui Guerra e os funcionários da Casal! Nas décadas de 50 a 80, o meio técnico em Alagoas foi movimentado por obras de grande alcance para o seu desenvolvimento. A não ser as precedidas dos anos 30 com a construção do cais do porto de Maceió, nada aconteceu de muito importante para que comparássemos com ás obras do final do século XIX e princípio do século XX, principalmente de obras de alcance social. A consciência para proteger o meio ambiente vinha tomando fôlego. Maceió como cidade crescente, com população beirando os 700 mil habitantes não tinha seu destino final dos esgotos domésticos definido. Possuíamos experiência da época do Governador Afrânio Lages que construiu um emissário provisório, sendo assim o início dos estudos que poderiam definir tipo, vazão, correntes marítimas, temperaturas, ponto de lançamento, tratamento, enfim todos dados necessários para podermos projetar uma obra da envergadura como pensávamos. Tínhamos também um biodigestor que fora colocado em funcionamento, solução que ao nosso ver serviria para povoamentos pequenos com baixa população. Era o início do segundo Governo Divaldo Suruagy. O ano de 1983 ficaria na história e precisávamos definir que tudo fosse executado com rapidez. A orla tinha demonstrado que crescia mais do que o esperado! O sonho de dotar nossa Capital de um serviço que nos trouxesse a despoluição do Salgadinho estava perto de se concretizar. Grandes empresas de construção se habilitaram na concorrência internacional. Sendo sujeitas à livre proposta de materiais ficou fácil escolher a vencedora, a tão conhecida e de larga experiência, Construtora Norberto Odebrecht. (No próximo artigo trarei mais detalhes sobre o sumiço do tramo no Porto de Maceió)