Opinião
O desafio de 2022: partido ou federação?
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“Nosso povo não realizará seu destino se não se organizar”, afirmou Leonel Brizola, na Carta de Lisboa, em junho de 1979. Ele referia-se à importância dos partidos para o exercício democrático da política. Em torno do efervescente debate de ideias e propostas, o Brasil começava a respirar democracia - e o desafio passava por formar partidos que dessem voz aos que não se sentiam representados no período militar, baseado autoritariamente no bipartidarismo.
A liberdade de criação de partidos, no entanto, resultou numa fragmentação recorde, representada pela eleição de deputados federais de 30 bancadas diferentes, nas eleições de 2018. Depois de sucessivas minirreformas eleitorais, a emenda constitucional 111 é promulgada em 28 de setembro de 2021 e estabelece regras para as eleições de 2022. A questão é menos a quantidade de partidos, mas a forma como essas organizações conduzem seu espírito e sua representatividade diante da nova legislação.
Partidos maiores estimulam o recurso da federação (união de partidos por no mínimo quatro anos) como forma de cooptar os “melhores” nomes, robustecendo a sua legenda. Já outros encontram na federação o subterfúgio para continuarem existindo. Em oposição a isso, a decisão de alguns dirigentes em formar chapas proporcionais com autonomia e independência política, reforçando o compromisso com o fortalecimento do partido e com a consolidação democrática.
Nesse contexto, o Avante, partido que mais cresceu nas eleições em 2020, ampliando em 632% a sua representatividade nos diversos municípios do Brasil, filia-se a essa visão. Isto é: critérios objetivos de solidariedade partidária com a finalidade de engajar as lideranças no movimento de construção do partido. E isso melhor se observa na formação de chapas com lideranças de potencial equivalentes - segundo os dirigentes do partido, seriam necessários cerca de 18 mil votos para conseguir uma cadeira no Legislativo estadual e 36 mil para garantir uma vaga na Câmara Federal. No dia 2 de abril prazo para a formação das federações e filiações conheceremos com mais clareza o contorno e o espírito de cada partido. A partir dessa data, poderemos começar a formar o nosso juízo a fim de escolher, com mais segurança, a organização partidária que melhor propõe ao nosso povo a tão esperada realização do seu destino.
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